A alta no preço do diesel já começa a refletir diretamente no transporte de cargas e levanta preocupação sobre o abastecimento no país. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os pisos mínimos de frete, com reajustes que variam entre 4,8% e 7%, conforme o tipo de carga.
A medida foi publicada após o diesel S10 atingir média de R$ 6,89 por litro, com aumento superior a 13%. Pela legislação, o reajuste é acionado sempre que o combustível ultrapassa 5% de variação.
Alta do diesel pressiona custos do transporte
De acordo com o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística em Santa Catarina, Dagnor Schneider, o reajuste atual ainda acompanha os primeiros impactos da alta do petróleo:
“O aumento da tabela mínima de frete está baseado no reajuste inicial, mas já temos novos aumentos sendo registrados, chegando a até 25% no preço do diesel em relação ao período anterior”, afirma.
Setor aponta risco de paralisação
Além disso, o diesel representa uma parte significativa dos custos operacionais, podendo chegar a cerca de metade das despesas do transporte:
“O setor já vem sendo fragilizado e, sem o repasse imediato desses custos, as empresas podem parar de rodar. Existe risco, inclusive, de comprometer o abastecimento”, alerta o presidente da Fetransesc.
Ainda conforme Schneider, há preocupação com possíveis mobilizações: “Já ouvimos falar na possibilidade de os autônomos se organizarem em torno de uma paralisação”, diz.
Efeito cascata deve atingir o consumidor
Com o aumento do frete, o impacto tende a chegar ao consumidor final. Isso ocorre porque os custos do transporte são incorporados ao preço dos produtos ao longo da cadeia.
“Quem produz e comercializa acaba aplicando esse custo. É um efeito em cadeia que impacta diretamente o preço final”, explica Schneider. A Fetransesc orienta empresas e sindicatos a buscarem negociações para manter a operação logística e evitar impactos mais amplos na economia.
Ouça os detalhes com Carol Denardi, da Rede de Notícias ACAERT:
Reajuste do frete coloca o abastecimento do Brasil em risco. Foto: Reprodução / RNA