Alto Vale

Programa leva prevenção à violência contra a mulher para escolas de Rio do Sul

Catarinas por Elas ensina adolescentes a reconhecer abusos, ciclos de violência e formas de buscar ajuda.

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Programa leva prevenção à violência contra a mulher para escolas de Rio do Sul Catarinas por Elas nas escolas. Foto: Divulgação / NEAVIT

Estudantes de Rio do Sul estão recebendo orientações para identificar sinais de violência nos relacionamentos e saber onde procurar ajuda. As atividades fazem parte do programa Catarinas por Elas, desenvolvido no ambiente escolar com participação do Ministério Público de Santa Catarina.

As ações são conduzidas pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) de Rio do Sul, em parceria com o Núcleo de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola (NEPRE). O trabalho começou nas escolas da região em junho deste ano.

Segundo a residente em Direito do NEAVIT, Marcela Silveira Roeder, o objetivo é levar conhecimento aos adolescentes para prevenir situações de violência. “O programa trabalha para conscientizar, prevenir e capacitar jovens a identificar e romper ciclos de violência, promovendo uma cultura de respeito, autonomia e construção de relacionamentos saudáveis”, explica.

Catarinas por Elas leva prevenção para dentro das escolas

O programa Catarinas por Elas reúne ações nas áreas de segurança pública, educação e assistência social. No eixo educacional, a iniciativa trabalha a prevenção da violência contra a mulher com estudantes.

Em Rio do Sul, a primeira atividade ocorreu em 10 de junho, na Escola Paulo Zimmermann. Depois, a programação avançou para outras unidades da rede estadual.

Entre os assuntos estão relacionamentos abusivos, Lei Maria da Penha, medidas protetivas, canais de denúncia e formas de violência.

Além disso, os encontros utilizam atividades para aproximar o assunto da realidade dos estudantes. “No início, eles acabam sendo um pouco tímidos. Nós fazemos até uma dinâmica de verdadeiro ou fake e colocamos algumas perguntas do mundo deles”, relata Marcela.

Segundo ela, a participação aumenta durante a conversa. “Depois eles acabam se soltando e falando sobre vivências dos pais, avós, tios, vizinhos ou situações que eles mesmos passaram”, afirma. Em alguns casos, estudantes procuram a equipe depois da atividade. “Até o final, alguns nos procuram no privado para pedir ajuda, para pedir um direcionamento”, conta.

Lei Maria da Penha prevê seis formas de violência

Durante os encontros, os estudantes aprendem a reconhecer as diferentes formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. Atualmente, a Lei Maria da Penha prevê violência física, psicológica, sexual, patrimonial, moral e vicária. A sexta modalidade entrou na legislação em abril de 2026.

A violência física envolve condutas contra a integridade ou saúde corporal. Já a psicológica inclui situações que provoquem dano emocional, como ameaças, humilhação, manipulação e controle. A violência sexual envolve atos sem consentimento ou praticados mediante intimidação, ameaça, coação ou força. A patrimonial compreende retenção, subtração ou destruição de bens, documentos e recursos econômicos.

Por sua vez, a violência moral abrange calúnia, difamação e injúria. A violência vicária ocorre quando o agressor pratica violência contra filhos, familiares, dependentes ou integrantes da rede de apoio com a intenção de atingir a mulher.

Ciclo da violência também é discutido com adolescentes

Outro assunto apresentado aos estudantes é o chamado ciclo da violência.

A residente em Direito do NEAVIT, Marcela Silveira Roeder, explica que esse processo pode envolver fases de tensão, explosão e uma posterior tentativa de reconciliação. “A fase da tensão começa com agressões verbais, crises de ciúme e destruição de objetos”, explica.

Depois, segundo Marcela, pode ocorrer a fase de explosão, quando as agressões aumentam. Na sequência, pode surgir o período conhecido como “lua de mel”. “É o arrependimento aparente do agressor. Ele promete que vai mudar, leva flores, chocolates, presentes. Às vezes, a mulher acaba se prendendo nesse ciclo e ele continua acontecendo”, afirma.

NEAVIT busca aproximar jovens da rede de proteção

O NEAVIT oferece acolhimento, orientações jurídicas e encaminhamentos para a rede de proteção. O serviço do Ministério Público é gratuito e, quando necessário, também pode atender familiares das vítimas.

Nas escolas, a proposta é fazer com que os adolescentes reconheçam comportamentos que podem indicar relações abusivas.

Entre os exemplos trabalhados estão controle sobre roupas, exigência de senhas pessoais, restrição de amizades e cobranças sobre a rotina.

O programa Catarinas por Elas deve continuar percorrendo instituições de ensino. A proposta é ampliar o acesso à informação e aproximar os estudantes dos serviços disponíveis para prevenção, orientação e proteção diante de situações de violência.

Ouça a reportagem de Berta Thiesen: 

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