Representantes dos produtores de tabaco do Sul do Brasil foram recebidos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em Brasília, para discutir os impactos das tabelas de preços separadas por empresa no setor.
A audiência ocorreu no dia 12 de maio e foi solicitada pelo deputado federal Heitor Schuch, a pedido da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).
Participaram da reunião representantes da Afubra, Faesc, Fetag, Fetaesc e Fetaep, entidades que representam produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Entidades apontam insegurança no setor
Segundo os representantes, o modelo atual de tabelas individuais tem gerado falta de previsibilidade e desequilíbrio nas relações entre produtores e indústrias.
As entidades argumentam que, no sistema integrado, o agricultor assume compromissos produtivos antes de conhecer os preços finais da safra.
Na avaliação da comissão, isso torna essencial a existência de regras claras e estáveis para orientar a atividade.
Diferença entre tabelas passa de 10%
Até a safra 2008/2009, o setor trabalhava com negociação conjunta e tabela única de preços mínimos.
Nos últimos anos, porém, as tabelas separadas por empresa ampliaram diferenças de remuneração.
Na safra 2025/2026, a variação entre a maior e a menor tabela superou 10%, segundo as entidades.
Pedido busca aval para negociação conjunta
Durante a reunião, os produtores solicitaram esclarecimentos ao Cade sobre a possibilidade de retomada da negociação conjunta com o SindiTabaco.
A proposta é construir uma tabela mínima única, com transparência entre representantes dos produtores e da indústria.
As entidades afirmam que o objetivo não é limitar a livre concorrência, mas garantir previsibilidade, estabilidade e equilíbrio econômico aos agricultores.
Cade deve analisar documentação
A comissão avaliou a reunião como positiva.“O presidente do Cade ouviu nossas argumentações e disse que há espaço para um bom entendimento”, afirmou a representação dos produtores.
Agora, as entidades devem encaminhar documentação e explicações adicionais para análise do colegiado do Cade.
Após o julgamento, o órgão deve informar por escrito se a negociação única poderá ser retomada.
Comitiva teve representantes do Sul
A comitiva contou com representantes da Afubra, Fetag, Fetaesc, Faesc e Fetaep, além do deputado federal Heitor Schuch e da assessoria jurídica da CNA.
Foto: Reprodução / SindiTabaco