Agro

Praga mais temida da agricultura brasileira chega à Santa Catarina; Saiba como proteger a lavoura contra o Caruru Gigante

Cidasc confirmou foco da planta daninha em Campo Erê e orienta produtores a reforçarem medidas de prevenção.

Praga mais temida da agricultura brasileira chega à Santa Catarina; Saiba como proteger a lavoura contra o Caruru Gigante Caruru-gigante, planta daninha preocupa o agro. Foto: Reprodução / Canal Rural

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina, ou Cidasc, confirmou a presença do caruru-gigante em uma propriedade rural de Campo Erê, no Oeste catarinense. A planta daninha, também chamada de caruru-palmeri, preocupa pela rápida disseminação, resistência a herbicidas e potencial de prejuízo em lavouras como soja, milho, feijão, algodão, olericultura e fruticultura. 

Segundo a Cidasc, as medidas de controle e contenção do foco já começaram no campo. Além disso, o órgão orienta os produtores a comunicarem qualquer planta suspeita para que as equipes técnicas possam verificar a ocorrência e iniciar o manejo adequado. 

Caruru-gigante preocupa lavouras em Santa Catarina

O caruru-gigante é uma planta daninha exótica, originária da América do Norte. No Brasil, a espécie entrou no radar da defesa agropecuária após registros em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Em 2026, Santa Catarina também confirmou um foco da planta.

O engenheiro agrônomo da Cidasc, Diogo Antonio Deoti, explica que a entrada da planta no país pode estar ligada ao trânsito de máquinas agrícolas: “Chegou ao Brasil, muito provavelmente, em máquinas que foram importadas e estavam sujas. Tinham resíduos de sementes dessa praga”, afirmou.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o caruru-gigante tem grande capacidade de produzir sementes e se estabelecer em novas áreas. Por isso, a planta representa ameaça à agricultura brasileira e ao meio ambiente. 

Planta daninha pode resistir a herbicidas

Uma das principais preocupações envolve a resistência do caruru-gigante a herbicidas. Segundo o engenheiro agrônomo da Cidasc, Diogo Antonio Deoti, já há relatos de resistência ao glifosato e a herbicidas inibidores da ALS. A planta também chama atenção pela capacidade de multiplicação. Conforme o especialista, uma única planta pode produzir de 100 mil a 1 milhão de sementes viáveis: “Depois que ela se instala na lavoura, a disseminação é muito grande”, disse.

A identificação rápida é uma das principais medidas para reduzir o risco de disseminação. O produtor deve observar plantas diferentes na área, principalmente quando os herbicidas usados normalmente deixam de apresentar o resultado esperado: “O produtor tem que prestar atenção na lavoura. Viu alguma planta diferente ou percebeu que os herbicidas que sempre funcionaram não estão funcionando mais, deve comunicar a Cidasc, a assistência técnica ou a Epagri, orientou Diogo Antonio Deoti.

Segundo a Cidasc, a atuação envolve orientação técnica, fiscalização e ações educativas voltadas aos produtores. O objetivo é fortalecer a defesa sanitária vegetal e evitar a expansão da planta em Santa Catarina

Como proteger a lavoura do caruru-gigante

Entre os principais fatores de risco está o uso de máquinas e implementos agrícolas sem limpeza adequada. As sementes podem ficar presas nos equipamentos e seguir de uma propriedade para outra: “Não deixar a máquina suja entrar para trabalhar na lavoura, principalmente quando ela vem de áreas contaminadas”, orientou o engenheiro agrônomo.

O cuidado também vale para sementes, resíduos vegetais, adubos orgânicos e materiais vindos de regiões com suspeita de contaminação: “Também é importante tomar cuidado com a procedência das sementes utilizadas na área. Isso ajuda a evitar a entrada do caruru-palmeri e de outras plantas daninhas”, afirmou.

A Cidasc orienta os agricultores a adotarem medidas preventivas. Entre elas estão a limpeza de máquinas antes da entrada na lavoura, o controle da origem de sementes e insumos, o monitoramento frequente das áreas e a comunicação imediata de plantas suspeitas.

O produtor que identificar uma planta diferente não deve ignorar o sinal. A recomendação é procurar a assistência técnica, a Epagri ou a Cidasc para avaliação. Dessa forma, as equipes podem agir antes que a planta se espalhe e cause prejuízos maiores nas lavouras catarinenses.

Ouça a reprotagem de Berta Thiesen: 

Publicidade

Outras Notícias