Produtores rurais participaram, na noite de quarta-feira, 17 de junho, de uma reunião técnica sobre a cultura da cebola em Ituporanga. O encontro reuniu Epagri, Aeari, Aprocesc e agricultores para tratar de redução de custos, manejo de doenças, nutrição do solo e impactos do El Niño na produção.
A iniciativa faz parte de um projeto que percorre municípios da microrregião da cebola. Durante a programação, pesquisadores e técnicos apresentaram orientações práticas para ajudar os produtores a enfrentar períodos de maior chuva, menor luminosidade e aumento na pressão de doenças.
El Niño afeta produção de cebola
O extensionista da Epagri, Daniel Schmidt, explica que a entidade acompanha os impactos do El Niño na cebolicultura há várias décadas. Segundo ele, os registros mostram prejuízos em diferentes fases da safra, dependendo do período em que as chuvas ocorrem.
“Temos acompanhamento desde o El Niño intenso de 1982, 1983 e 1984. Também tivemos 2015 e, mais recentemente, 2023. Em todos esses anos, foram safras em que tivemos algum tipo de problema”, afirma. De acordo com Daniel, quando o fenômeno afeta o inverno, os produtores enfrentam dificuldades na produção de mudas.
Além disso, o custo com controle de doenças tende a aumentar. “Quando acontece mais no inverno, há uma dificuldade muito grande na produção de mudas. A falta de luminosidade também exige muito mais controle de doenças, o que significa mais custo”, explica. Já no fim da primavera e início do verão, como ocorreu em 2023, o excesso de chuva pode prejudicar a formação dos bulbos e a armazenagem da cebola.
Doenças da cebola exigem manejo técnico
O encontro também contou com orientações sobre doenças que atingem a cultura da cebola. O pesquisador de fitopatologia, Edivanio de Araújo, tratou do uso correto de produtos e da importância de evitar resistência dos patógenos.
Segundo ele, a rotação dos modos de ação é uma das principais medidas no manejo de fungicidas. “Se você usa o mesmo produto, com o mesmo modo de ação, aumenta o risco de aparecimento de cepas resistentes do patógeno”, afirma.
Edvânio explica que o produtor precisa alternar produtos para manter a eficiência do controle por mais tempo. Dessa forma, o manejo se torna mais racional e reduz o risco de perda de eficiência dos fungicidas. “É importante rotacionar esses modos de ação para evitar essa resistência e manter a viabilidade do produto por mais tempo”, completa. A herbologista e fitotecnista, Thaísa Dalmagro, também participou da reunião com orientações técnicas voltadas ao manejo da cultura.
Nitrogênio na cebola pode reduzir perdas
A nutrição do solo foi outro ponto abordado durante a reunião. O pesquisador de fertilidade do solo, Claudinei Kurtz, apresentou informações sobre aplicação de nutrientes, fontes de menor custo, doses e períodos adequados para o uso na lavoura.
Entre os nutrientes citados, o nitrogênio recebeu atenção especial. Segundo Claudinei, ele está entre os principais elementos absorvidos pela cebola, mas apresenta comportamento dinâmico no solo. “O nitrogênio é um dos principais nutrientes para a cultura da cebola. Ele é muito dinâmico no solo e sofre várias reações”, explica.
Em anos mais chuvosos, o risco de perda por lixiviação aumenta, principalmente quando o produtor utiliza fontes nítricas, como nitrato de cálcio e salitre. Por isso, a recomendação técnica inclui o uso de fontes amoniacais. “Como vai ser mais chuvoso, a tendência é ter mais lixiviação. Uma das recomendações é usar fontes amoniacais, que têm menor possibilidade de lixiviação”, afirma Claudinei.
Além disso, o pesquisador orienta o parcelamento da adubação. Com a aplicação dividida em mais etapas, o produtor reduz perdas e melhora o aproveitamento do nutriente pela planta.
Planejamento de venda influencia adubação
A recomendação técnica também leva em conta o destino da produção após a colheita. Segundo Claudinei, o produtor pode ajustar a dose de nutrientes conforme o planejamento de venda. Se a cebola for comercializada logo após a colheita, o agricultor pode trabalhar com uma dose mais elevada.
No entanto, se o objetivo for armazenar o produto para vender em março ou abril, a orientação muda. “Se ele pretende armazenar esse produto para vender em março ou abril, deve trabalhar com uma dose 25% menor do que as tabelas de recomendação”, afirma. De acordo com o pesquisador, essa redução pode melhorar a qualidade da cebola armazenada e diminuir perdas na pós-colheita.
Ouça a reportagem de Berta Thiesen:
Reunião sobre cebola e el niño em Ituporanga. Foto: Berta Thiesen / Sintonia FM