Mudanças no comportamento de uma pessoa podem indicar que ela enfrenta um período de sofrimento emocional. Isolamento, perda de interesse pelas atividades, alterações no sono ou alimentação e dificuldades no trabalho ou nos estudos estão entre os sinais que merecem atenção.
A orientação é da psicóloga Cleide Stock Schneider, que falou à Rádio Sintonia sobre saúde mental durante o Setembro Amarelo. Segundo ela, mais importante do que observar um comportamento isolado é perceber mudanças significativas na maneira habitual de agir.
Isolamento e desesperança merecem atenção
“Quando alguém começa a se isolar, perde o interesse pelo que gostava, fica constantemente cansada ou deixa de cuidar de si, isso merece atenção”, explica Cleide.
Além disso, falas relacionadas à morte, ao desejo de desaparecer ou à sensação de ser um peso para outras pessoas precisam ser levadas a sério. “Não é necessário esperar a pessoa chegar ao limite para procurar ajuda”, alerta a psicóloga.
Terapia e avaliação médica fazem parte do cuidado
Atividades físicas, artesanato, música e outras experiências podem contribuir para a retomada da rotina. Entretanto, elas não substituem acompanhamento psicológico ou médico quando necessário. “No acompanhamento psicológico, a gente vai entender o que está acontecendo com aquela pessoa. Muitas vezes, ela sabe que precisa fazer coisas que façam bem. O que ela não sabe é como sair do ciclo em que se encontra”, explica.
Conforme a intensidade dos sintomas, uma avaliação médica também pode indicar a necessidade de tratamento com medicamentos.
Falar sobre suicídio exige acolhimento e atenção
Quando uma pessoa manifesta pensamentos relacionados ao suicídio, Cleide orienta que familiares e amigos não tratem a situação como brincadeira. “É importante se aproximar dessa pessoa, ouvir sem julgamento e permitir que ela fale sobre o que está sentindo”, orienta.
Segundo a psicóloga, perguntar diretamente e de maneira cuidadosa se alguém pensa em tirar a própria vida não incentiva o suicídio. Pelo contrário, pode abrir espaço para que a pessoa fale sobre o sofrimento.
Onde buscar ajuda em momentos de crise
Pessoas que apresentam sofrimento persistente podem procurar atendimento psicológico particular ou pelos serviços do SUS, incluindo as unidades de saúde.
O Centro de Valorização da Vida também oferece apoio pelo telefone 188.
Em situações de risco imediato, especialmente quando há intenção, planejamento ou acesso a meios para se machucar, a orientação é não deixar a pessoa sozinha e procurar imediatamente um serviço de urgência ou emergência.
Ouça a reportagem de Berta Thiesen:
Imagem ilustrativa / Depressão. Foto: Reproduçao / Marcelo Comparin