O Ministério Público de Santa Catarina informou que vai recorrer da decisão que absolveu dois réus no caso Ana Beatriz Schelter. O julgamento foi realizado nesta quinta-feira, 25 de junho, em Florianópolis.
Os dois acusados respondiam por crimes relacionados à morte da adolescente, entre eles homicídio qualificado, estupro de vulnerável e fraude processual. Para o promotor de Justiça Jonnathan Augustus Kuhnen, que atuou no júri, as provas reunidas ao longo da investigação sustentam a participação dos acusados.
“Respeitamos a decisão do júri, mas entendemos que há elementos suficientes para sua revisão e, por isso, vamos recorrer”, afirmou o promotor.
Ministério Público contesta decisão
Segundo o MPSC, um dos réus julgados nesta quinta-feira, de 63 anos, teria participado diretamente dos crimes que resultaram na morte da vítima.
O outro acusado, de 55 anos, responderia por suposta interferência na investigação, com alteração de elementos que poderiam servir como prova.
Com a absolvição, o Ministério Público informou que adotará as medidas legais para tentar reverter a decisão.
Caso ocorreu em Rio do Sul
Ana Beatriz Schelter tinha 12 anos quando saiu de casa, no dia 2 de março de 2016, em Rio do Sul, para ir à escola. Ela cursava o sétimo ano e fazia o trajeto a pé.
A adolescente não chegou ao destino. O desaparecimento foi registrado pela família naquela noite. Na manhã seguinte, o corpo foi encontrado dentro de um contêiner às margens da BR-470.
A investigação descartou a hipótese inicial de suicídio e apontou que a cena teria sido alterada para dificultar a apuração.
Operação Fênix denunciou três réus
O MPSC denunciou três réus no âmbito da Operação Fênix, conduzida pelo GAECO de Blumenau, sob coordenação da 3ª Promotoria de Justiça de Rio do Sul.
Um dos acusados, apontado como principal autor, já havia sido julgado em 12 de maio deste ano. Ele foi condenado pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual.
A pena foi fixada em 58 anos e nove meses de prisão, em regime fechado, além de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto.
Julgamento foi transferido para Florianópolis
O júri dos dois réus absolvidos ocorreu em Florianópolis após pedido da defesa. A transferência do julgamento de Rio do Sul para a Capital foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina em fevereiro de 2026.
O procedimento, chamado de desaforamento, é previsto em lei e pode ocorrer quando se entende que a repercussão do caso pode influenciar o ambiente do júri.
Segundo o MPSC, o Ministério Público não recorreu da mudança, embora não identificasse impedimento para que o julgamento ocorresse em Rio do Sul. A prioridade, conforme o órgão, foi evitar que o processo se prolongasse ainda mais.
Processo foi dividido
Os três réus não foram julgados juntos porque o processo foi desmembrado por decisão judicial.
Na primeira etapa, foi julgado o acusado apontado como principal autor, que acabou condenado. Nesta quinta-feira, o júri analisou a situação dos outros dois denunciados pelo Ministério Público.
Com a decisão de absolvição, o MPSC informou que vai recorrer para pedir a revisão do resultado.
Foto: Reprodução / MPSC