Cultura

Libras amplia inclusão, mas acesso ainda encontra barreiras fora das escolas

Professora explica como ocorre o aprendizado da Libras e aponta dificuldades enfrentadas por surdos em serviços do cotidiano.

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Libras amplia inclusão, mas acesso ainda encontra barreiras fora das escolas Imagem ilustrativa / Libras. Foto: Reprodução / Hand Talk

A comunicação de pessoas surdas ainda encontra barreiras em situações comuns do cotidiano, como atendimentos em mercados, farmácias, bancos e unidades de saúde. A avaliação é da professora Cristiane Ferreira de Arruda Herbst, que atua com Educação Especial e também realiza interpretação em Língua Brasileira de Sinais, a Libras.

O tema ganha espaço em setembro, mês que concentra datas relacionadas à comunidade surda e à língua de sinais. A mobilização também chama atenção para a acessibilidade e para a participação das pessoas surdas na sociedade.

Segundo Cristiane, embora a inclusão tenha avançado no ambiente escolar, ainda faltam pessoas preparadas para estabelecer a comunicação em outros espaços.


Libras permite comunicação e participação de pessoas surdas

A Libras utiliza sinais para estabelecer a comunicação e tem papel na interação entre pessoas surdas e ouvintes. “Essas pessoas precisam dessa linguagem para se comunicar, que é muito importante para elas e também para serem inseridas na sociedade”, explica a professora.

Cristiane costuma participar de eventos fazendo interpretação para Libras. Além disso, trabalha como professora do Atendimento Educacional Especializado, o AEE.

Ela estudou Libras no Instituto Federal Catarinense, em Rio do Sul, e também possui formação em outras áreas da Educação Especial, entre elas o Braille.


Pessoas surdas enfrentam dificuldades em atendimentos cotidianos

Para a professora, uma das principais dificuldades está fora do ambiente escolar. Muitas vezes, estabelecimentos e serviços não contam com alguém que conheça Libras. “No restante da sociedade tem um déficit muito grande. Se essas pessoas vão até um mercado, uma farmácia, um postinho de saúde ou um banco, não tem uma pessoa que saiba como falar com elas”, relata.

Nesse cenário, a dificuldade de comunicação pode aparecer justamente quando a pessoa precisa explicar uma necessidade ou solicitar atendimento.

Por isso, Cristiane considera que ampliar o conhecimento sobre Libras também contribui para reduzir barreiras entre pessoas surdas e ouvintes.


Aprendizado de Libras começa pelo cotidiano do aluno

Na escola, o ensino pode partir de elementos que fazem parte da rotina da criança. Segundo Cristiane, o processo começa com sinais básicos e avança conforme as necessidades do estudante. “A gente começa mostrando e inserindo aos poucos a linguagem de sinais. Primeiro começa com o alfabeto, depois números e os cumprimentos básicos do dia a dia do aluno”, explica.

Depois, novos sinais entram no processo de aprendizagem. Palavras relacionadas a disciplinas, materiais escolares, alimentação e objetos presentes na sala de aula são alguns exemplos. “Uma borracha, um lápis, a cadeira, a carteira. Tudo isso a gente vai mostrando durante o dia a dia para ele ir aprendendo”, acrescenta.

Cristiane informou que atualmente não há estudantes surdos na escola onde trabalha. No entanto, outras unidades da rede estadual da região possuem alunos que necessitam desse atendimento.

 

Setembro chama atenção para comunidade surda e Libras

Setembro reúne ações de conscientização e visibilidade relacionadas às pessoas surdas. Entre as datas mencionadas pela professora estão o Dia Nacional do Surdo e celebrações ligadas à língua de sinais e aos intérpretes.

Para Cristiane, o período também serve para ampliar a discussão sobre acessibilidade para além das instituições de ensino.

“Escutar com os olhos, falar com as mãos quebram barreiras e constroem pontes entre nós. A acessibilidade em Libras é direito, respeito e cidadania”, conclui.

 

A reportagem é de Berta Thiesen.

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