Saúde

Junho reforça importância do diagnóstico precoce da cardiopatia congênita

Condição afeta a estrutura do coração desde o nascimento e pode exigir acompanhamento por toda a vida.

Junho reforça importância do diagnóstico precoce da cardiopatia congênita Junho Campanha Cardiopatia Congênita: Foto: Reprodução / Site Pequeno Príncipe

O mês de junho marca a conscientização sobre a cardiopatia congênita, uma condição caracterizada por alterações na estrutura do coração presentes desde o nascimento. A doença é considerada uma das principais formas de problema cardiovascular em crianças e pode representar risco especialmente no primeiro ano de vida quando não é diagnosticada de forma precoce.

De acordo com o cardiologista pediátrico e fetal André Loss, a cardiopatia congênita se diferencia das doenças cardíacas mais comuns em adultos. Enquanto, na vida adulta, muitos problemas surgem ao longo dos anos, nas crianças a maior parte das doenças cardíacas já está presente desde a formação do bebê.

Segundo o médico, 90% ou mais das doenças cardíacas em crianças são congênitas. Isso significa que o coração já nasce com algum problema em sua estrutura. Conforme o especialista, a condição é uma das principais causas de risco para bebês no primeiro ano de vida, ficando atrás apenas da prematuridade.

Diagnóstico ainda na gestação pode reduzir riscos

Um dos principais caminhos para identificar a cardiopatia congênita é o ecocardiograma fetal, exame específico do coração do bebê realizado durante a gestação. O período ideal, segundo André Loss, é por volta das 24 semanas, embora o exame já possa ser feito a partir das 20 semanas.

O cardiologista explica que não há limite máximo de idade gestacional para a realização do exame. Mesmo próximo ao parto, a avaliação ainda pode contribuir para o planejamento do atendimento ao recém-nascido.

A descoberta antecipada permite que a equipe médica organize o parto de forma mais segura. Em alguns casos mais graves, o bebê pode precisar de atendimento em UTI, uso de medicações específicas e até cirurgia cardíaca ainda na primeira semana de vida.

Tratamento permite qualidade de vida

Apesar da gravidade de alguns casos, o diagnóstico precoce amplia as chances de tratamento adequado. Segundo André Loss, muitos pacientes conseguem ter uma vida normal ou próxima da normalidade após o acompanhamento médico, uso de medicamentos ou realização de cirurgia.

O especialista reforça que a cardiopatia congênita acompanha o paciente ao longo da vida. Por isso, mesmo após procedimentos bem-sucedidos, é necessário manter acompanhamento com profissional especializado, da infância até a fase adulta.

Em muitos casos, após a cirurgia, a criança cresce, brinca e desenvolve uma rotina comum. Algumas podem ter limitações específicas, mas a maioria consegue construir uma trajetória saudável quando recebe o diagnóstico e o tratamento no tempo correto.

Síndrome de Down aumenta risco de cardiopatia

O cardiologista também chama atenção para a relação entre síndrome de Down e cardiopatia congênita. Na população em geral, cerca de uma em cada 100 crianças nasce com alguma alteração cardíaca congênita.

Entre crianças com síndrome de Down, esse índice é bem mais alto. Segundo André Loss, a porcentagem pode chegar a 40%, ou seja, quatro em cada 10 crianças com a síndrome podem apresentar algum tipo de cardiopatia congênita. Em alguns casos, esse número pode chegar a cinco em cada 10.

Por isso, o acompanhamento médico é ainda mais importante nesses casos. A orientação é que gestantes mantenham o pré-natal em dia e conversem com o médico sobre a realização do ecocardiograma fetal, exame que pode ser decisivo para garantir assistência adequada ao bebê desde os primeiros momentos de vida.

Ouça a reportagem de Vanessa Montibeller: 

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