A família tem a decisão final sobre a doação de órgãos no Brasil, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora. Antes dessa etapa, no entanto, a equipe médica precisa confirmar a morte encefálica por meio de exames.
O assunto integra a segunda reportagem da série de entrevistas da Rádio Sintonia sobre doação de órgãos. Segundo o gerente de enfermagem do Hospital Regional, Thiago Litzcke, o diagnóstico exige a comprovação da ausência de atividade cerebral.
Morte encefálica não é o mesmo que coma
Thiago explica que existe uma diferença entre o paciente em coma e aquele que teve a morte encefálica confirmada. “Um paciente que tem circulação cerebral, atividade elétrica cerebral e metabolismo cerebral está vivo do ponto de vista neurológico e, portanto, está em coma”, explicou.
Já no caso da morte encefálica, não há atividade, circulação ou metabolismo cerebral. “Um paciente que não tem atividade cerebral, que não tem metabolismo cerebral e que não tem circulação cerebral está morto”, afirmou.
O processo exige uma sequência de avaliações antes da confirmação do diagnóstico.
Família autoriza a doação de órgãos
Somente depois da confirmação da morte encefálica a equipe pode conversar com os familiares sobre a possibilidade de doação.
Mesmo que a pessoa tenha indicado em documento que deseja ser doadora, a autorização permanece nas mãos da família. “A descrição na identidade é para facilitar o processo de decisão da família. A decisão final é da família e ponto”, afirmou Thiago.
Segundo ele, a indicação serve como referência para os familiares, mas não substitui a autorização.
Conversa em casa pode facilitar decisão
Por esse motivo, profissionais da área orientam que as pessoas conversem com seus familiares sobre o desejo de doar órgãos. “A melhor forma de a gente poder ter esse desejo concedido é falar com a família e deixá-la ciente daquilo que a gente pensa a respeito desse tema”, disse Thiago.
Durante o atendimento, a equipe também procura esclarecer dúvidas e auxiliar os familiares no processo de luto e decisão.
Ouça a reportagem de Vanessa Montibeller:
Família tem a palavra final sobre a doação de órgãos no Brasil. Foto: Divulgação / Internet