Agro

Excesso de chuva afeta milho e exige atenção com adubação e pragas

Baixa luminosidade e umidade podem comprometer o desenvolvimento. Agrônomo orienta produtores sobre nitrogênio, plantas daninhas, cigarrinha e doenças

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Excesso de chuva afeta milho e exige atenção com adubação e pragas Excesso de chuva afeta milho e exige atenção com adubação e pragas - Foto: Shane McGraw/CCommons

O excesso de chuva, a sequência de dias com pouca luminosidade e o atraso no plantio exigem atenção dos produtores de milho neste início de desenvolvimento das lavouras. Entre os sinais que podem aparecer estão o amarelecimento das plantas e o crescimento mais lento das raízes.

Segundo o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento e engenheiro agrônomo da Afubra Dionis Ricardo Henker, o milho depende da luminosidade e pode apresentar dificuldades de desenvolvimento quando encontra uma sequência de dias nublados associada ao solo úmido. “O milho é uma planta de sol. Ele não tolera dias nublados e com solo úmido. A gente tem alguns problemas em relação ao desenvolvimento”, explica.

Nesse cenário, o especialista recomenda cautela antes da realização dos manejos, principalmente na aplicação de nitrogênio.

Milho amarelado pode aparecer após período de chuva

Conforme Dionis, o amarelecimento pode ocorrer nas lavouras durante períodos com condições desfavoráveis ao desenvolvimento.

Além da parte visível da planta, o excesso de umidade pode afetar o sistema de raízes. “O sistema radicular fica bastante comprometido e mais lento. O agricultor precisa ter atenção e também calma para que a gente tenha tempo de fazer os manejos em relação aos nitrogênios”, afirma.

O período inicial exige acompanhamento porque a planta ainda está em uma fase de definição do potencial produtivo.

Controle de plantas daninhas exige atenção ao estágio do milho

Outro ponto observado pelo engenheiro agrônomo é a presença de plantas daninhas.

Produtores que não conseguiram realizar o manejo com herbicidas antes da emergência podem encontrar maior dificuldade posteriormente. Entretanto, a aplicação também precisa considerar o desenvolvimento do milho. “A grande regra do jogo é não deixar que o mato tenha competição com o milho. É importante fazer esse momento de entrada do herbicida quando a planta estiver com quatro folhas viáveis”, orienta.

Segundo Dionis, o potencial produtivo começa a ser definido desde a emergência. Por isso, produtos que provoquem efeitos fitotóxicos podem comprometer o desenvolvimento da cultura.

Nitrogênio pode ser parcelado em períodos de muita chuva

A adubação também precisa considerar as condições meteorológicas.

Dionis explica que a baixa luminosidade reduz a absorção de nutrientes pela planta. Ao mesmo tempo, novos episódios de chuva intensa podem provocar perdas dos nutrientes disponíveis no solo.

O especialista também chama atenção para a relação entre nitrogênio e potássio. “De nada adianta colocar uma quantidade grande de nitrogênio sem o potássio estar junto, porque o potássio traz estrutura”, explica.

Em períodos de chuva irregular ou excessiva, uma alternativa citada pelo agrônomo é parcelar a aplicação do nitrogênio em duas etapas, considerando os estágios de quatro e oito folhas expandidas. “É uma estratégia segura, porque a gente acaba garantindo que esse nutriente esteja disponível para a planta”, afirma.

Cigarrinha do milho preocupa nas primeiras semanas

O monitoramento da cigarrinha do milho também deve começar cedo. Conforme Dionis, o período de maior impacto econômico ocorre principalmente entre a emergência e os primeiros 30 a 40 dias da cultura.

O inseto preocupa pela capacidade de transmitir agentes associados a doenças que podem provocar perdas de produtividade. “O problema é o vetor que ela acaba tendo no organismo, que transmite o problema da virose e também da bacteriose”, explica.

Entre as ferramentas disponíveis para acompanhamento estão armadilhas que permitem identificar a presença da cigarrinha na lavoura.

Lagarta e doenças também devem ser monitoradas

Nas áreas onde o plantio ocorreu mais tarde, o produtor também precisa observar a lagarta-do-cartucho. A orientação é percorrer a lavoura e procurar sinais como folhas raspadas. A presença da praga deve orientar a tomada de decisão sobre a necessidade de controle. Além disso, umidade e temperatura podem favorecer o desenvolvimento de doenças.

Dionis cita três problemas que merecem acompanhamento: mancha-branca, helmintosporiose e ferrugem. “São doenças típicas, principalmente numa situação mais úmida. Elas começam no terço inferior e acabam subindo para outras folhas e comprometendo a produtividade”, explica.

Com a sequência de períodos úmidos, a orientação é acompanhar o desenvolvimento das plantas e avaliar cada manejo conforme o estágio da lavoura e as condições encontradas no campo.

Confira os detalhes na reportagem de Jean Carlos:

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