Alto Vale

El Niño acende alerta para agricultura no Alto Vale

Audiência pública da Alesc reuniu Epagri, lideranças regionais e jornalistas para discutir os impactos da chuva nas lavouras.

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El Niño acende alerta para agricultura no Alto Vale El Niño acende alerta para agricultura no Alto Vale. Foto: Vanessa Montibeller / Sintonia FM

A influência do El Niño na agricultura foi tema de um evento promovido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com audiência pública, palestra técnica e workshop para jornalistas. O encontro reuniu especialistas da Epagri, lideranças regionais e profissionais da comunicação para discutir os efeitos do fenômeno climático no campo.

A preocupação principal está nos reflexos do El Niño durante a primavera, especialmente nos meses de outubro e novembro. Conforme a Epagri/Ciram, o período pode registrar sequência de dias com chuva, aumento da umidade no solo e menor presença de sol.

No Alto Vale, o cenário exige atenção dos agricultores que trabalham com culturas como cebola, fumo e outras atividades agrícolas. A orientação é acompanhar previsões oficiais e adotar medidas de manejo para reduzir perdas nas lavouras.

El Niño em Santa Catarina deve ter maior efeito na primavera

A meteorologista da Epagri/Ciram, Marilene de Lima, explicou que o El Niño começou a se configurar em maio. Segundo ela, os efeitos em Santa Catarina aparecem com mais intensidade durante a primavera. “Para nós aqui em Santa Catarina, a consequência se reflete principalmente durante a primavera. Os meses de outubro e novembro são os mais preocupantes por conta do excesso de chuva”, afirmou.

Marilene também citou que a sequência de dias chuvosos pode trazer impacto para áreas urbanas e rurais. No campo, a umidade excessiva no ar e no solo pode afetar o desenvolvimento das plantas.

Além disso, a meteorologista orientou os agricultores a acompanharem informações de órgãos oficiais. Segundo ela, as previsões de curto e médio prazo ajudam na tomada de decisão. “A gente pede para as pessoas irem acompanhando os sites oficiais, que ali já tem toda a orientação, toda a informação bem organizada para cada região”, disse.

Agricultura do Alto Vale precisa ampliar cuidados com o solo

O pesquisador da Epagri, Claudiney Kurtz, avaliou que o excesso de chuva exige planejamento nas propriedades rurais. Ele afirmou que o manejo do solo pode reduzir impactos nas lavouras e também no meio urbano. “O que a gente tem recomendado é a questão do manejo do solo. Dentro do possível, fazer o preparo o mínimo possível, manter cobertura do solo, manter palhada”, explicou.

De acordo com Claudiney, essas práticas aumentam a infiltração de água, reduzem erosão e diminuem a perda de nutrientes. Elas também ajudam a evitar o assoreamento de rios e os efeitos das enxurradas. O pesquisador também citou medidas como parcelamento da adubação e terraceamento. Segundo ele, essas ações podem auxiliar os produtores em um ano com previsão de chuva mais frequente.

Umidade aumenta risco de doenças nas lavouras

Além do cuidado com o solo, a Epagri orienta os agricultores a intensificarem o monitoramento das plantas. Com mais umidade, a tendência é de aumento na ocorrência de doenças nas lavouras. “Quando aumenta a umidade, aumenta grandemente a questão de pragas e doenças. A tendência é aumentar as doenças”, afirmou Claudiney Kurtz.

Segundo o pesquisador, o produtor deve acompanhar as lavouras com mais frequência para evitar perdas. A recomendação vale para a cebola e também para outras culturas agrícolas da região.

Cebola pode ter perdas na lavoura e no pós-colheita

A cultura da cebola, uma das principais atividades agrícolas do Alto Vale, deve sentir os efeitos do El Niño. O pesquisador da Epagri, Daniel Schmitt, explicou que a hortaliça tem menor flexibilidade de manejo em comparação com culturas como o milho. “A cultura da cebola é uma das mais afetadas. A gente sabe que vai ter, principalmente, problemas com perdas pós-colheita, perdas às vezes já na lavoura, mas também pós-colheita”, disse.

Conforme Daniel, anos de El Niño reduzem a possibilidade de armazenamento da cebola por períodos mais longos. Esse cenário também pode estimular a importação do produto.

Área plantada de cebola deve cair até 25%

O pesquisador da Epagri afirmou que a estimativa inicial apontava redução de cerca de 10% na área plantada de cebola. No entanto, a avaliação mais recente indica queda entre 20% e 25%. “Nós tínhamos uma estimativa que seria em torno de 10%, mas hoje já estamos avaliando em torno de 20% a 25% de redução na área. É a redução mais significativa dos últimos 30 anos”, afirmou Daniel Schmitt.

Segundo ele, a queda ocorre após duas safras com dificuldades comerciais para os produtores. Com menos recursos, parte dos agricultores deve reduzir o investimento no plantio. Por outro lado, Daniel observou que anos de El Niño costumam registrar melhores preços para a cebola. Ainda assim, o cenário depende do clima, da produção e do comportamento do mercado.

Amavi defende informação e prevenção nos municípios

O presidente da Amavi, Cláudio Volnei Sens, participou do evento e citou a importância da informação para os municípios do Alto Vale. Ele afirmou que a região precisa manter ações de prevenção diante das previsões climáticas. “A informação é muito importante. Essas audiências públicas são muito importantes para levar a informação para a população”, afirmou.

Cláudio também mencionou o papel dos colegiados de Defesa Civil e das entidades regionais no apoio aos municípios. Para ele, a agricultura precisa de orientação neste período. “A agricultura veio sofrendo muito forte. Ano passado foi um ano de alta produção e não de valorização. Agora, com esses alertas climáticos, o agricultor está com medo”, disse.

O evento da Alesc buscou aproximar ciência, comunicação e tomada de decisão. Nos próximos meses, a Epagri deve manter orientações para agricultores, prefeituras e entidades do Alto Vale.

Ouça a reportagem de Vanessa Montibeller: 

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