O Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março, chama atenção para o avanço silencioso da doença renal crônica no Brasil. Atualmente, cerca de 180 mil pessoas dependem de terapias renais substitutivas, como a hemodiálise, para sobreviver. Ao mesmo tempo, mais de 40 mil brasileiros aguardam por um transplante de rim, segundo dados do Ministério da Saúde e do Sistema Nacional de Transplantes.
O rim é o órgão com maior demanda por transplantes no país. Em Santa Catarina, a situação também preocupa. De acordo com a Central de Transplantes do Estado, quase 800 pacientes aguardavam por um rim na lista ativa de espera em janeiro deste ano.
Transplante renal é indicado na fase avançada da doença
O transplante costuma ser indicado quando o paciente atinge a fase de falência renal causada pela doença renal crônica. Nesse estágio, os rins perdem grande parte da capacidade de filtrar o sangue.
O médico nefrologista e coordenador de transplantes renais do Hospital Universitário Cajuru, Dr. Alexandre Biginelli, explica quando esse procedimento passa a ser necessário: “O estágio cinco da doença renal crônica ocorre quando os dois rins filtram menos que 15% da sua capacidade. Nessa fase, o transplante passa a ser uma alternativa de tratamento”, afirma.
Segundo o especialista, nem todos os pacientes precisam estar em diálise para entrar na lista de transplantes: “Alguns pacientes em tratamento conservador, com função renal abaixo de 10%, também podem ser incluídos na lista de espera”, explica.
Critérios definem prioridade na fila por transplante
Após a inclusão na lista, o transplante segue critérios definidos pelo Sistema Nacional de Transplantes. A distribuição considera fatores médicos e a ordem de inscrição:
“O critério envolve a compatibilidade entre doador e receptor, o tempo na lista e alguns casos especiais, como crianças, adolescentes ou pacientes críticos sem acesso adequado à diálise”, detalha o médico nefrologista Dr. Alexandre Biginelli. Esses critérios ajudam a direcionar os órgãos disponíveis para pacientes que aguardam pelo procedimento.
Prevenção ajuda a reduzir casos de doença renal
Entre as principais causas da doença renal crônica estão a hipertensão arterial e o diabetes. O aumento dessas doenças e o envelhecimento da população ampliam o número de pessoas com problemas renais. De acordo com o médico nefrologista Dr. Alexandre Biginelli, hábitos simples podem ajudar na prevenção:
“O paciente pode diminuir os riscos com uma alimentação com menos sal e menos açúcar. Também é importante manter o peso saudável e realizar exames periódicos”, orienta. Ele destaca que exames simples podem indicar o funcionamento dos rins: “Um exame básico é a creatinina, que ajuda a entender quanto os rins estão filtrando”, afirma.
Doação de órgãos depende da autorização da família
No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização da família. Por isso, especialistas orientam que o tema seja discutido entre familiares.
Essa decisão pode aumentar o número de transplantes e oferecer uma nova oportunidade para quem aguarda na fila por um rim.
Confira os detalhes com Carol Denardi, da Rede de Notícias Acaert:
Dia Mundial do Rim. Foto: Reprodução / Site RNA