A BBC publicou um vídeo falando sobre uma nova epidemia que está invadindo o mundo: a solidão.
A cada 15 minutos, 28 pessoas morrem no planeta por conta da solidão. E o pior, a faixa etária mais afetada é a dos adolescentes e jovens adultos. Justamente a que mais deveria fazer amigos e também a mais conectada.
A solidão não é algo que se escolhe. É um estado emocional subjetivo e negativo.
E a solidão varia de pessoa para pessoa, visto que alguns precisam de muitos círculos sociais para satisfazer as capacidades de conexão, enquanto outros se sentem bem com poucas pessoas.
Solidão é uma bola de neve. Quanto mais sozinho se fica, menos cuidados com a saúde e aparência são notados, porque tudo isso vem junto com uma menor vontade (ou facilidade) de conhecer e interagir com outros seres humanos.
Uma a cada seis pessoas já viveram episódios de solidão, de acordo com o levantamento.
Não culpo aqui só a tecnologia que nos permite “conhecer o mundo de dentro do nosso quarto”, como citado no vídeo da BBC. Mas fato é que o viés de positividade das redes sociais gera uma vitrine de felicidade, criada para vender produtos. Isso acaba criando a receita perfeita para frustração, comparação, conversas rasas e, claro, a solidão.
Pela ciência, fatores como idade, renda, índices familiares e até mesmo as mudanças comportamentais pós Covid-19 são fatores expressivos para culminar em solidão.
No Reino Unido, o problema já é tratado como questão de saúde pública e até um ministério foi criado para cuidar dos solitários. Outros países já copiam o sistema, criando políticas públicas. Mas o mais curioso é que médicos prescrevem interações sociais, como quem prescreve dipirona de oito em oito horas. São sugeridas atividades em espaços coletivos, parques, cursos, frequência a templos religiosos e outras situações que provoquem interação com outras pessoas.
No Brasil, o tema ainda é muito subjetivo, mas é como uma erva daninha em meio ao jardim, crescendo e se espalhando silenciosamente.
Quantas pessoas você conhece que já foram ao médico, com sintomas físicos e saíram de lá com diagnósticos como “ansiedade” ou “crise de pânico”? Acredite, as estatísticas mundiais moram ao nosso lado. E muitas vezes nem sabemos seus nomes.
O que mais me intriga, como jovem adulta e fascinada pelo comportamento humano é: desde quando e - pior - até quando, médicos terão de prescrever o comportamento que nascemos para ter?
Coluna de Berta Thiesen, jornalista, especialista em neuropsicologia e marketing.
Solidão. Foto: Reprodução / Futuro da Saúde