Retomar atividades que faziam parte da rotina pode ajudar pessoas com depressão a reconstruir vínculos, recuperar pequenas fontes de satisfação e reduzir o isolamento. No entanto, essas práticas funcionam como apoio e não substituem o acompanhamento de profissionais de saúde.
A explicação é da psicóloga Cleide Stock Schneider, que atua há 14 anos e possui especializações em diferentes áreas da Psicologia. Em entrevista à Rádio Sintonia para a série do Setembro Amarelo, ela explicou por que atividades simples podem contribuir durante o tratamento.
Depressão pode reduzir atividades e convívio social
Segundo a psicóloga, a depressão costuma fazer com que a pessoa abandone gradualmente atividades, encontros e experiências que antes faziam parte da rotina. “Ela deixa de sair, deixa de encontrar pessoas, deixa de fazer aquilo que gosta e, aos poucos, a vida vai ficando cada vez mais restrita”, explica.
Por isso, retomar algumas dessas experiências pode ajudar a interromper esse ciclo. O objetivo não é apenas “ocupar a cabeça”. “Elas ajudam a pessoa a voltar a ter contato com experiências que a depressão foi afastando dela”, afirma Cleide.
Motivação pode aparecer depois do primeiro passo
A falta de vontade também pode fazer parte da depressão. Dessa forma, familiares e pessoas próximas devem evitar cobranças por mudanças rápidas. “Muitas vezes a pessoa começa, mesmo sem vontade, e a motivação pode aparecer depois. A família pode apoiar, estar presente e valorizar esses pequenos avanços”, orienta.
Segundo Cleide, a recuperação costuma ocorrer gradualmente. Com a repetição das atividades, a pessoa pode reconstruir uma rotina e recuperar a sensação de participação na própria vida.
Caminhada, música e jardinagem podem fazer parte da rotina
As atividades não precisam envolver academia ou gastos elevados. Caminhar, cuidar de uma horta, ouvir música, cozinhar, fazer artesanato, ler ou manter contato com a natureza estão entre as possibilidades citadas pela psicóloga.
Além disso, atividades comunitárias ou tarefas que proporcionem uma sensação de propósito também podem contribuir. A escolha, porém, deve considerar aquilo que faz sentido para cada pessoa e respeitar seus limites.
Setembro Amarelo chama atenção para busca por ajuda
As atividades complementares não substituem o tratamento indicado por profissionais de saúde. Quando há depressão ou sofrimento emocional, buscar acompanhamento é parte do cuidado.
Neste Setembro Amarelo, a campanha também chama atenção para a importância de reconhecer sinais de sofrimento e procurar ajuda.
Ouça a reportagem de Berta Thiesen:
Imagem Ilustrativa / Caminhada pode ajudar na saúde mental. Foto: @explica.saude no Instagram