Tem cidade que espera alguém de fora dizer o que ela tem de bonito.
E tem cidade que começa a olhar para dentro, reconhecer suas próprias histórias e entender que cultura também nasce do cotidiano.
Ituporanga tem muito disso.
Nos últimos dias, uma ação realizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc — PNAB chamou atenção: a oficina gratuita “Audiovisual Comunitário: Escuta, Registro e Memória”.
A proposta é formar moradores para usar o vídeo como ferramenta de registro cultural. Não é preciso ter experiência. A ideia é aprender noções básicas de audiovisual e incentivar que a própria comunidade registre suas histórias, memórias, personagens e lugares. Mas, no fundo, a oficina ensina algo ainda maior, ensina a olhar. Porque antes de gravar, é preciso perceber o valor daquilo que está diante de nós.
E isso tem tudo a ver com cultura e turismo. Quando alguém registra uma paisagem rural, uma tradição religiosa, uma festa de comunidade, uma receita de família ou a fala de um morador antigo, está ajudando a preservar a identidade do município.
Ituporanga tem essa potência. Tem a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, o Complexo do Louvor, o Caminho do Louvor, a agricultura, a gastronomia, os grupos culturais, a dança, a música, o artesanato e as comunidades do interior.
Recentemente, o município também levou seus atrativos para a FIT Cataratas, em Foz do Iguaçu, uma das grandes feiras do turismo no Brasil, apresentando experiências ligadas ao turismo religioso, rural, gastronômico e cultural.
Essas ações mostram que cultura e turismo caminham juntos quando a cidade aprende a valorizar o que tem.
Porque, muitas vezes, aquilo que para nós parece rotina, para quem chega pode ser encanto.
A paisagem que passa despercebida. A história contada em família. A fé, o sabor, a memória, a dança e o trabalho no campo. Tudo isso forma Ituporanga.
E quando a cidade aprende a contar a si mesma, ela deixa de depender apenas de grandes eventos para ser lembrada. Ela passa a ser reconhecida pela sua identidade.
No fim das contas, a pergunta é simples:
O que existe aqui que merece ser visto, ouvido, sentido e preservado?
Em Ituporanga, a resposta está por toda parte.
Coluna escrita por Ana Grah, professora de dança, produtora cultural e escritora.
Panorâmica de Ituporanga. Foto: Franciel Andrade / Sintonia FM