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Ana Grah: Depois da Festa, Ituporanga como destino o ano inteiro

Confira a coluna da professora de dança, produtora cultural e escritora, Ana Grah.

Ana Grah: Depois da Festa, Ituporanga como destino o ano inteiro Festa da Cebola 2026 utilizou vários pontos turísticos de Ituporanga. Foto: Reprodução / Internet

A Festa Nacional da Cebola passou. Os palcos já silenciaram, os estandes foram desmontados, os visitantes voltaram para suas cidades. Mas fica uma pergunta bonita, dessas que merecem ser guardadas com carinho: o que permanece depois da festa?

Permanece a imagem de uma Ituporanga que sabe receber. Permanece a força da nossa terra, o cheiro da agricultura, a fé que atravessa gerações, a cultura que mora nas mãos, nas vozes, nas cozinhas, nas histórias e nos caminhos do interior. Permanece, acima de tudo, a certeza de que Ituporanga não é destino apenas durante um grande evento. Ituporanga é destino o ano inteiro.

A Festa da Cebola é, sem dúvida, uma das maiores vitrines do município. Ela movimenta a economia, valoriza o agricultor, atrai visitantes, apresenta nossa gastronomia, nossa produção e a força cultural da nossa gente. Mas talvez o próximo passo seja olhar para além da vitrine: transformar visita em experiência, passagem em memória, lembrança em vontade de voltar.

Quem chega aqui encontra muito mais do que cebola. Encontra paisagens naturais, comunidades rurais, histórias de colonização, manifestações religiosas, espaços de memória e um jeito muito próprio de viver o interior catarinense. O Salto Grande, a Igreja Matriz Santo Estevão, o Seminário São Francisco de Assis e a Gruta Nossa Senhora de Lourdes ajudam a contar quem somos. São lugares que não apenas se visitam: são lugares que nos explicam.

E quando falamos em turismo rural e religioso, falamos também de afeto. A Capital Nacional da Cebola tem sua raiz profundamente ligada à agricultura, e isso abre caminhos para experiências que aproximam o visitante da vida no campo, da produção local, da paisagem e da hospitalidade das comunidades. Porque turismo, quando se encontra com cultura, deixa de ser apenas deslocamento. Vira pertencimento.

E onde entra a cultura nisso tudo? Entra em tudo. Cultura é aquilo que faz alguém lembrar de um lugar mesmo depois de ir embora. É o sotaque, a comida, a música, o artesanato, a igreja da comunidade, a festa local, o museu, a biblioteca, a receita antiga, o agricultor que abre a porteira, o artista que transforma identidade em expressão. Cultura é a alma caminhando junto com o território.

Por isso, falar de turismo em Ituporanga é falar também de autoestima coletiva. Antes de convencer alguém de fora a visitar a cidade, talvez seja preciso convidar o próprio morador a olhar novamente para ela. Quantas vezes passamos pelos mesmos caminhos sem perceber a beleza que existe ali? Quantas histórias vivem nas comunidades, nas famílias, nos rios, nas estradas, nas lembranças dos mais velhos e ainda não foram contadas?

Talvez a primeira grande missão do turismo local seja essa: fazer Ituporanga se reconhecer como destino. Que o visitante venha pela festa, mas volte pela paisagem. Que venha pelo show, mas retorne pela fé, pela gastronomia, pela natureza, pela cultura e pela hospitalidade. Que venha curioso e vá embora com vontade de pertencer um pouquinho.

Esta coluna nasce com esse convite: olhar para Ituporanga com olhos de visitante e coração de morador. Porque, muitas vezes, o turismo começa exatamente aí: quando a gente aprende a enxergar valor no lugar onde está. E quando uma cidade se reconhece, ela também aprende a se apresentar ao mundo com mais verdade, mais beleza e mais alma.

 

Coluna escrita por Ana Grah, professora de dança, produtora cultural e escritora.

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