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A cada hora, três crianças são abusadas em Santa Catarina, aponta MP

Menos de 8% dos casos de abuso e exploração de crianças e adolescentes são denunciados.

A cada hora, três crianças são abusadas em Santa Catarina, aponta MP Campanha contra violência. Foto: Divulgação / TJSC

O Ministério Público de Santa Catarina estima que três crianças sejam vítimas de abuso por hora no estado. Mesmo assim, menos de 8% dos casos chegam aos órgãos de segurança e proteção, o que indica que a maior parte das ocorrências permanece sem denúncia.

O alerta integra as ações de conscientização do mês de maio, período voltado ao combate à violência, ao abuso e à exploração contra crianças e adolescentes. Segundo a assistente social do Poder Judiciário, Suerllen Camara Kinal, a sociedade precisa observar os sinais e agir diante de qualquer suspeita: “O Disque 100 registrou mais de 657.000 denúncias de violações em 2024. Foi um crescimento de 22,6% em relação ao ano anterior”, afirmou.

Ainda conforme os dados apresentados pela profissional, crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis. Em 2024, o Disque 100 registrou cerca de 289.000 denúncias envolvendo esse público.

Mais de 50% das vítimas têm entre um e cinco anos

De acordo com Suerllen, os números oficiais representam apenas uma parte da realidade. Isso ocorre porque muitas situações não chegam ao conhecimento das autoridades: “Esses números mostram menos de 8% dos casos que acontecem e que são denunciados. Ou seja, a maioria das ocorrências de abuso ou exploração não chega às forças de segurança que podem oferecer proteção”, explicou.

Durante o Carnaval de 2024, houve aumento de 38% nas denúncias, conforme os dados citados pela assistente social. A maioria dos casos envolvia crianças e adolescentes. Além disso, informações do Ministério Público de Santa Catarina apontam que 51% das vítimas tinham entre um e cinco anos.

Diferença entre abuso e exploração de crianças e adolescentes

A assistente social também explicou a diferença entre abuso e exploração. Segundo ela, o abuso ocorre quando uma criança ou adolescente é usado para satisfação sexual de um adulto ou adolescente mais velho, com ou sem contato físico. 

Já a exploração envolve algum tipo de troca financeira, favor ou vantagem. Entre os exemplos estão prostituição infantil, produção de imagens íntimas, aliciamento pela internet e tráfico de crianças e adolescentes. Conforme Suerllen, mais de 67% dos casos de abuso ou exploração infantil ocorrem no ambiente doméstico. Em grande parte das situações, os autores são familiares ou pessoas próximas da vítima.

Ambiente digital aumenta risco 

Outro ponto de alerta está no uso da internet. A assistente social orienta pais e responsáveis a acompanharem o tempo de tela, os jogos, os sites acessados e as pessoas com quem crianças e adolescentes conversam: “O ambiente digital, hoje, é um ambiente de risco e de perigo para as nossas crianças e adolescentes. Por meio dele se tem percebido muito aliciamento online, envio de fotos íntimas, jogos e redes sociais, chantagem emocional”, disse.

Segundo Suerllen, criminosos podem se passar por adolescentes ou crianças para se aproximar das vítimas. Por isso, a orientação é que os responsáveis mantenham diálogo e acompanhem a rotina digital dos filhos: “A gente faz realmente um apelo aos pais e aos responsáveis para terem atenção ao que o seu filho, ou aqueles sobre quem você exerce o cuidado, têm feito nas redes sociais”, afirmou.

Sinais de abuso infantil podem aparecer no comportamento

Familiares, professores e pessoas próximas devem observar mudanças no comportamento de crianças e adolescentes. Entre os sinais citados pela assistente social estão isolamento, medo excessivo de determinada pessoa, agressividade, tristeza persistente, ansiedade, queda no rendimento escolar e regressão comportamental: “Esses são alguns sinais que a gente precisa estar alerta. Pode estar indicando que alguma coisa mais séria está acontecendo”, explicou.

Suerllen também citou sinais físicos, embora eles sejam menos comuns. Entre eles estão lesões, dificuldades para sentar ou caminhar, infecções sexualmente transmissíveis, dores frequentes e gravidez precoce. A profissional ainda orienta que exames nem sempre conseguem comprovar ou descartar uma situação de abuso.

Por isso, a observação do comportamento e a escuta da criança ou adolescente também são fundamentais: “Nem sempre o exame vai ser único a descartar ou comprovar a existência de um abuso”, afirmou. Diante de qualquer suspeita, a orientação é procurar os órgãos de proteção, como o Conselho Tutelar, a Polícia Civil, a Polícia Militar ou o Disque 100.

Ouça a reportagem de Jaciara Oliveira: 

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