Entretenimento

“Deus não me deu filhos biológicos porque Ele queria outra coisa de mim”, afirma mãe acolhedora de Chapadão do Lageado

Dona Áurea encontrou na adoção a formação de uma família. Hoje, relembra trajetória com carinho.

“Deus não me deu filhos biológicos porque Ele queria outra coisa de mim”, afirma mãe acolhedora de Chapadão do Lageado Família da dona Áurea. Foto: Arquivo da família

Áurea Rohling Schmitt já era casada há uns 15 anos quando resolveu ter filhos. Na época, com poucos recursos, percebeu que não conseguia engravidar e demorou para começar a fazer tratamentos de fertilidade com acompanhamento médico.

Por três anos, entre idas e vindas em consultórios e muita conversa com o marido, resolveram desistir do processo. Foi aí que surgiu uma opção na vida do casal: a adoção.

Depois de um ano e oito meses, o telefone tocou, lá no Chapadão do Lageado onde moram. A ligação vinha de Criciúma e dizia que um casal de irmãos estava pronto para um novo lar.

 

Adoção transforma vida de casal no interior

A notícia marcou a mudança definitiva na rotina da família. “Fiquei muito feliz. Era um menino e uma menina, e assim formamos a nossa família”, contou Áurea. 

O menino chegou com um ano, enquanto a menina já tinha quatro anos de idade, e o processo seguiu as etapas exigidas, com avaliação da estrutura da residência, da convivência familiar e da disponibilidade para acolhimento.

A viagem até Criciúma marcou o primeiro contato entre mãe e filhos. Áurea relembra que aguardava com expectativa, sem saber detalhes sobre as crianças. 

Quando o menino foi apresentado, ainda pequeno, o reconhecimento aconteceu de forma imediata. “Eu fiz um gesto para ele vir até mim, e ele sorriu. Naquele momento, eu pensei que era ele mesmo”, relatou. 

Já a filha mais velha demonstrou resistência inicial, situação considerada comum nesse tipo de processo. No entanto, após uma conversa simples com o casal, ela aceitou ir com a nova família. Áurea relembra com carinho “ela pediu um chiclete para o pai e, para mim, um batom”.

 

Apoio da família ajudou na adaptação

Nos primeiros dias, a adaptação ocorreu com apoio de familiares e amigos próximos.

Como não houve tempo para preparar um enxoval completo antes da chegada das crianças, a rede de apoio contribuiu com roupas, calçados e itens básicos para o cotidiano. 

Aos poucos, o casal estruturou a rotina conforme as necessidades. Áurea explicou que as aquisições foram feitas gradualmente, acompanhando o crescimento dos filhos. “A família ajudou bastante com roupas e outras coisas para o dia a dia”, disse.

Ao longo dos anos, Áurea afirmou que baseou a criação dos filhos nos valores que aprendeu dentro da própria família. A convivência, segundo ela, foi construída com atenção à educação, ao respeito e à rotina doméstica. 

Com o passar do tempo, a família se ampliou e, atualmente, ela também exerce o papel de avó. Ao avaliar a trajetória, Áurea entende que cumpriu o propósito que buscava ao optar pela adoção. ““Deus não me deu filhos biológicos porque ele queria outra coisa de mim. Eu me sinto com o dever cumprido”, afirmou.

 

Ouça a reportagem especial de Berta Thiesen.

Publicidade

Outras Notícias