Cultura

“A gente tem que falar para o nosso tempo”, afirma Zeca Baleiro durante festival em Rio do Sul

Cantor e compositor falou sobre música, liberdade de expressão e acesso à cultura no interior.

“A gente tem que falar para o nosso tempo”, afirma Zeca Baleiro durante festival em Rio do Sul Zeca Baleiro no palco do teatro Dom Bosco. Foto: Berta Thiesen / Sintonia FM

O cantor e compositor Zeca Baleiro participou, na noite de terça-feira (27), do Festival Literário do Alto Vale do Itajaí, em Rio do Sul. Durante um encontro no Teatro Dom Bosco, o artista falou sobre o papel da música na sociedade, a valorização das manifestações culturais e a importância de levar eventos ao interior do Brasil.

Conhecido por músicas como "Lenha" e "Telegrama", o artista maranhense abordou a relação entre composição, literatura e acontecimentos sociais. Segundo Baleiro, a produção artística acompanha as transformações de cada período histórico e expressa as experiências de quem a produz. "Acho que a gente tem que falar para o nosso tempo, para as angústias do nosso tempo", afirmou.

Zeca Baleiro compara compositores a cronistas da sociedade

Durante a conversa, Zeca Baleiro afirmou que os compositores registram acontecimentos, comportamentos e mudanças sociais por meio das músicas.

Como exemplo, citou o compositor Noel Rosa, que retratava aspectos do cotidiano brasileiro nas décadas de 1920 e 1930, incluindo a influência do rádio e da língua inglesa. "O compositor, ele é, de certa maneira, um cronista da vida social, política. Um cronista do seu tempo", explicou.

Para o artista, não existe uma definição única sobre quais temas devem aparecer na música ou na literatura. Ele considera que as escolhas dependem das experiências e percepções de cada criador.

Festival Literário aproxima artistas do público do interior

Natural do Maranhão, Zeca Baleiro também comentou a importância de participar de eventos culturais fora dos grandes centros.

O cantor relembrou as dificuldades de acesso à cultura durante sua juventude no interior e afirmou que, apesar da circulação de informações pela internet, ainda existem diferenças entre as regiões brasileiras. "Eu adoro entrar no interior brasileiro. Eu sou do interior, do Maranhão", contou.

Segundo Baleiro, encontros como o Festival Literário do Alto Vale permitem que o público tenha contato com diferentes expressões artísticas. Ao mesmo tempo, oferecem aos artistas a oportunidade de conhecer outras realidades do país. "Acho importante essa troca. Para o público certamente é importante, mas para o artista também é", declarou.

Zeca Baleiro defende diversidade de estilos musicais

Ao comentar as mudanças na música brasileira, o compositor também abordou as críticas direcionadas a gêneros como o funk e o sertanejo. Embora tenha preferências musicais próprias, Baleiro afirmou que reconhece esses estilos como manifestações culturais ligadas às experiências de seus públicos.

O artista citou o funk carioca como uma forma de expressão de moradores das comunidades e defendeu que os diferentes gêneros sejam compreendidos dentro de seus contextos sociais. "Eu temo um pouco esses julgamentos", afirmou.

Para Zeca Baleiro, a diversidade de ritmos faz parte da formação cultural brasileira, e a liberdade de expressão permite que diferentes grupos apresentem suas experiências por meio da arte. "O mundo é bonito se ele é livre, se você tem liberdade de se expressar como quiser", concluiu.

Festival Literário do Alto Vale segue até 31 de outubro

A programação do Festival Literário do Alto Vale do Itajaí continua nesta quarta-feira (28), em Rio do Sul.

A agenda prevê um encontro com o autor de "Café com Deus Pai", no Centro de Eventos Hermann Purnhagen. O festival segue até sábado, 31 de outubro, com atividades relacionadas à literatura e à cultura.

O público pode acompanhar a programação nas redes sociais da Fundação Cultural de Rio do Sul.

Ouça a reportagem de Berta Thiesen: 

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