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“A cadeira de rodas me dá liberdade de ir e vir”, afirma atleta de hand bike do Alto Vale

Natural de Presidente Nereu, Fernando Rech encontrou na hand bike um caminho para retornar ao esporte.

“A cadeira de rodas me dá liberdade de ir e vir”, afirma atleta de hand bike do Alto Vale Fernando Rech em corrida em Taió. Foto: Reprodução / @fernandorech0205

O esporte voltou a ocupar um lugar central na vida do atleta de hand bike Fernando Rech, de 36 anos, natural da localidade de Coqueiral, em Presidente Nereu. Após uma lesão medular completa, em 2014, ele precisou adaptar a rotina e encontrou na modalidade uma forma de reconstruir caminhos, manter a vida ativa e participar de provas.

Fernando já participou de maratonas internacionais, meia-maratonas, provas de cinco e 10 km e competições com obstáculos militares. No entanto, antes de chegar à hand bike, ele precisou enfrentar mudanças profundas na própria trajetória.

A história de Fernando Rech

Em 2 de maio de 2014, Fernando sofreu uma lesão medular completa após um disparo acidental de arma de fogo. Com isso, perdeu a coordenação motora e sensitiva do meio das costas para baixo.

Antes do episódio, ele trabalhava na roça com os pais e jogava futebol em várias cidades da região. Segundo Fernando, a mudança exigiu a construção de novos caminhos. “É muito difícil você imaginar que um dia vai passar por algo desse tipo. Você leva uma vida comum, como se nada fosse acontecer. Jamais eu imaginava que estaria hoje andando em uma cadeira de rodas”, contou.

Mesmo diante da nova realidade, Fernando afirma que a cadeira de rodas não representa uma limitação. “A cadeira de rodas não me aprisiona, como muitas pessoas veem. A cadeira de rodas me dá a liberdade de ir e vir para onde eu quero”, afirmou.

Hand bike abriu novas possibilidades 

A hand bike é um triciclo adaptado, movimentado com os braços. O atleta pode praticar a modalidade sentado ou deitado, conforme o modelo do equipamento.

Fernando começou nas corridas em cadeira de rodas, mas encontrou na hand bike mais facilidade para percorrer diferentes terrenos e distâncias maiores. “A hand bike te dá um desenvolvimento muito grande na questão de velocidade. Depois que passei a praticar a hand bike, tive mais facilidade para percorrer ruas, estrada de chão, calçamento, paralelepípedo e asfalto”, explicou.

Além do desempenho nas provas, a modalidade também trouxe reflexos para a rotina. Segundo Fernando, o esporte contribui para o fortalecimento físico e para atividades do dia a dia. “Ela melhora demais a qualidade de vida, no fortalecimento de braços, peito e costas. Também ajuda nas transferências para o carro, da cadeira para a cama e para a cadeira de banho”, disse.

Grupo de corrida ajudou na retomada

Antes da lesão, Fernando mantinha uma ligação forte com o futebol. Depois, chegou a acreditar que a vida esportiva havia ficado para trás. A mudança ocorreu quando ele se mudou para Lontras e conheceu o grupo Esquadrão Adventure.

O grupo incentiva pessoas a participarem de atividades esportivas, independentemente das condições físicas. Com apoio nas corridas de rua, Fernando iniciou a trajetória na hand bike e passou a incentivar outras pessoas. “Às vezes, pessoas tentam limitar a gente, mostrar que a gente é incapaz. Isso não acontece só com pessoas com deficiência, mas de modo geral”, afirmou.

Para ele, o primeiro passo é acreditar na própria capacidade. “Basta a gente querer e acreditar em nós mesmos. A nossa mente é capaz de qualquer coisa, principalmente se a gente estiver rodeado das pessoas certas”, disse.

Família e amigos fazem parte da trajetória

Fernando também atribui parte da caminhada ao apoio da família e dos amigos. Ele cita os pais, a irmã, a esposa e o grupo de corridas como presenças constantes nos momentos mais difíceis.

“Aos meus pais, minha irmã e minha esposa, quero agradecer e dizer o quanto eles são importantes na minha vida. Em muitos momentos, quando eu baixo a cabeça, eles estão do meu lado para me incentivar, me apoiar e me levantar”, relatou.

Ao falar para quem enfrenta algum momento difícil, Fernando deixa uma mensagem de continuidade. “Não desista. Vá em busca dos seus sonhos, levante a cabeça e não deixe que uma fase difícil pare você. A vida é boa demais e merece ser vivida da melhor forma possível”, afirmou.

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