PSL elege mais de 50 deputados e 4 senadores

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PSL elege mais de 50 deputados e 4 senadores

Eleitor ao lado de Flávio Bolsonaro, eleito senador no Rio de Janeiro pelo PSL (Rodrigo Mattos/UOL)

 

Em 20 anos de existência, o PSL foi um partido nanico, elegendo sempre um pequeno número de candidatos. Nesta campanha, esse cenário mudou drasticamente.

Depois de eleger apenas um parlamentar na campanha de 2014, a sigla elegeu 52 deputados federais e quatro senadores em 2018: Juíza Selma Arruda (24,6%), em Mato Grosso, Soraya Thronicke (16,1%), em Mato Grosso do Sul, e dois dos mais votados do Brasil: Flávio Bolsonaro (31,6%), com 4,2 milhões de votos no Rio de Janeiro, e Major Olímpio (25,81%), escolha de 8,8 milhões de eleitores em São Paulo.

A sigla também levou para o segundo turno três candidatos a governador, o Coronel Marcos Rocha (23,9%), em Rondônia, o Comandante Moisés (29,7%), em Santa Catarina, Antonio Denarium (42,27%) em Roraima. O Rio de Janeiro foi o estado que mais elegeu deputados do partido, 12 no total, seguido por São Paulo, com 10. Aparecem na sequência Minas Gerais (6), Santa Catarina (4) Rio Grande do Sul (3), Paraná  (3), Goiás (2), Mato Grosso do Sul (2), Amazonas (1), Bahia (1), Ceará (1), Espírito Santo (1), Mato Grosso (1), Paraiba (1), Pernambuco (1), Rio Grande do Norte (1), Rondônia (1) e Roraima (1).

O crescimento da sigla coincidiu com a mudança em seu perfil ideológico para abrigar Bolsonaro, que fez uma campanha exitosa ao chegar ao segundo turno presidencial.

Um breve histórico

Fundado em 1994, o Partido Social Liberal conseguiu seu registro apenas em junho de 1998, sob a liderança do deputado federal licenciado e hoje presidente de honra Luciano Caldas Bivar.

Quando foi criado, o partido pregava um liberalismo econômico com Estado forte, responsável por cuidar de educação, saúde e segurança.

Em 2006, Bivar se lançou candidato à Presidência, ocasião em que defendeu o Imposto Único Federal. Terminou a campanha em último lugar, com pouco mais de 62 mil votos.

Na campanha seguinte, em 2010, Bivar lançou Américo de Souza como pré-candidato, mas foi barrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) porque a escolha não passou por convenção partidária.

Em 2014, a legenda apoiou a candidatura de Eduardo Campos (PSB), que tinha Marina Silva (então no PSB) como vice. Ela acabou assumindo a cabeça da chapa após a morte do titular em uma queda de avião. Mas perdeu para Aécio Neves (PSDB) a vaga no segundo turno, vencido por Dilma Rousseff (PT).

Ainda em 2014, o PSL elegeu apenas um deputado federal: José Maria Macedo Júnior, que no ano seguinte já foi para o PMB (Partido da Mulher Brasileira) e, em 2016, para o PP, hoje denominado Progressistas.

'Fator Bolsonaro'

A história da sigla mudou de fato quando Bolsonaro se filiou ao PSL com o intuito de se lançar candidato a presidente, o que aconteceu em agosto, após um flerte não efetivado com outros partidos.

Desde então, o partido cresceu. De acordo com o TSE, a legenda tem hoje 241.439 membros, dos quais 13,6 mil filiações foram feitas só no primeiro semestre deste ano. O número é bem maior do que os 3 mil novos filiados do PT, o segundo colocado com mais adesões no mesmo período.

Apesar da saída de seu único deputado eleito, o PSL aproveitou a janela partidária e atraiu nove deputados desde a chegada de Bolsonaro. O partido também lançou 480 candidatos à Câmara dos Deputados neste ano, 5,7% do total, diz o TSE. Ficou atrás apenas do PSOL, que pediu votos para 532 nomes.

Junto aos novos filiados, o PSL também mudou de ideologia. Bivar cogitou até trocar o nome do partido, mas acabou desistindo. Embora tenha mantido seu perfil econômico liberal, a sigla agora se classifica como conservadora nos costumes.

Desde a chegada do presidenciável, o PSL de declarou favorável à legalização do porte de armas de fogo e contra o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A legenda abriu espaço até para uma ala monarquista, encabeçada pelo príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança -- eleito deputado federal em São Paulo neste domingo.

Com as bênçãos de Bivar, é Bolsonaro quem dá as cartas no partido, apesar de Gustavo Bebbiano ser o presidente oficial. Cientista político da Fesp (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), Humberto Dantas diz que o PSL "abriu mão" de crescer no longo prazo.

"A sigla negociou a entrada de um player importante com possibilidade de chegar à Presidência", diz. "Ela recepcionou um grupo órfão de partido político e viabilizou-se a participar de debates. Serviu de projeto pessoal a um grupo que se fortaleceu muito nos últimos tempos, bastante conservador e com alguns aspectos liberais."

 

Por Wanderley Preite Sobrinho Do UOL, em São Paulo

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