'Setembro Verde' incentiva a doação de órgãos no Alto Vale

Somente no Alto Vale, 474 pessoas esperam por transplante.

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'Setembro Verde' incentiva a doação de órgãos no Alto Vale

Foto: Elisiane Maciel / DAV

 

Estamos no mês do “Setembro Verde”, com foco na conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos.

O médico responsável pela Renal Vida, Dr. Leontino Ribeiro, apresentou os dados de agosto deste ano, que mostram que somente aqui no Alto Vale, 474 pessoas esperam por um transplante de órgãos no Alto Vale. Destas, 322 pessoas precisam de rins, 63 de medula, 60 de córnea, 20 de fígado e nove de rim/pâncreas.

Em toda a Associação Renal Vida, 1462 pessoas já tiveram órgãos transplantados, sendo que no Alto Vale foram 189 pessoas. O medico contou que em 2018 o índice está muito bom na região, com 19 pessoas aqui do Alto Vale que já fizeram a cirurgia.

Quanto aos problemas renais, Leontino explicou que todas as pessoas que precisam de transplante de rins, precisam fazer hemodiálise.

 

“O transplante é considerado um tratamento e não uma cura, pois o transplantado terá que continuar tomando medicação o resto da vida”.

 

Um dos casos de quem aguarda por um transplante de rins, é da jovem Michelle Aparecida Bonin Loch, que possui insuficiência renal crônica e precisa fazer hemodiálise desde setembro de 2016. Michelle teve que sair da fila de espera neste ano, porque descobriu que estava grávida, o que nesta situação se torna um risco maior, e não pode realizar a cirurgia neste período. Mas, Michelle disse que logo após o parto, quer retornar à fila de espera, já que precisa fazer hemodiálise seis vezes por semana, quatro horas por dia.

 

“Depois do parto eu espero voltar para a fila. Lógico que começa toda a caminhada novamente, tem uma série de exames e consultas que tem que passar. Mas é normal, para ver se a pessoa está apta a entrar na fila de transplante.  Isso pode demorar um pouco, mas o importante é não desistir! Tem que ficar firme, tudo tem seu tempo”, revelou.

 

Ela disse ainda, que a “a hemodiálise é um meio de manter-se vivo até a chegada do transplante”, e que a vida de um paciente renal é muito difícil.

 

“Mas ao mesmo tempo ganhamos força pra enfrentar as dificuldades do dia a dia. Cada paciente é único.  No meu caso, eu demorei bastante até que eu me adaptar à nova vida, à essa situação, pois há dias muito ruins, onde eu passo mal. São muitas coisas que temos que enfrentar com frequência, como colocar cateter e fazer cirurgias pra ter uma fistula”, detalhou.

 

Para ela, o transplante de órgão pode proporcionar uam melhor qualidade de vida, pois por exemplo em pacientes com problemas renais, quem tem chance e sorte de ser transplantado sem rejeiçãodo órgão, não precisará mais da máquina pra poder ter uma vida normal.

 

“Isso dentro das limitações claro, mas não tem mais que se preocupar em três ou seis vezes por semana ter que ir até uma clínica pra fazer toda a filtração do sangue pra poder ter um pouco de qualidade de vida”, completou.

 

Quanto ao transplante, Leontino explicou que não existe um tempo determinado de quanto a pessoa irá esperar para receber o órgão, pois além de condições de saúde, para conseguir o transplante também depende da sorte. De acordo com ele, geralmente é escolhida mais que uma pessoa, para poder utilizar o órgão caso não haja compatibilidade com o paciente.

 

“Tem gente que entra em diálise e dali há três meses é chamado para fazer o transplante, mas tem que ter sorte também, tem que ser compatível, estar com boa saúde, passar em uma série de exames para ver qual delas estará com melhores condições e com taxa de rejeição menor do órgão. São escolhidas umas três pessoas que possam ser compatíveis, para fazer a dosagem de anticorpos e descobrir quem tem menos probabilidade de rejeição, nem sempre quem está na fila no momento vai estar apto. Nem todos tem condição de receber transplantes, seja pela idade, por ter outras doenças graves associadas, outras não querem, então estas pessoas ficarão sempre em diálise”.

 

Ele disse ainda que precisa ser disseminado o incentivo para que pessoas aceitem doar órgãos, que decidam em vida e comuniquem à família, porque depois da morte da pessoa, quem decide é a família e se a decisão já estiver feita, fica mais fácil comunica.

No dia 28 de outubro, a Renal Vida realizará o Encontro de Transplantados do Alto Vale do Itajaí (Etravi), com uma confraternização entre os pacientes que receberam o transplante.

Caso de sucesso de transplante

Um caso de sucesso de transplante, aconteceu com Carlos Alberto Hoffmann, que sofria com uma doença hepática e estava em fase terminal. Ele contou que descobriu a doença em agosto de 2015 e em dezembro do mesmo ano teve a primeira internação.

 

“Eu passava uma semana no hospital e outra em casa antes do transplante, então quando eu era internado entrava em coma e realmente meu fígado não trabalhava mais e isso afetou o restante dos meus órgãos, como intestino, rins, cérebro, foi tudo deteriorando”.

 

Carlos disse que cada vez mais as crises iam se agravando, até que depois de estar por 14 dias na fila de espera, conseguiu um transplante que foi realizado no dia 29 de junho de 2016.

 

“Só tenho a agradecer à família que tomou a atitude de doar os órgãos, foi um rapaz de 27 anos que sofreu um acidente em Lages e graças a solidariedade da família eu pude ter minha vida de volta”.

 

Ele disse que hoje, após o transplante, leva uma vida normal. “

 

Fiz o transplante, ocorreu tudo bem e de lá para cá só melhorou meu padrão de vida. Estou muito bem, a única coisa que eu tenho que tomar são os imunossupressores a vida inteira, para não haver rejeição do órgão, mas mudou sem dúvida muito minha vida, para melhor. Eu estava praticamente para morrer. Tive a felicidade de ter um órgão que foi bem aceito pelo meu organismo, faço acompanhamento médico de três em três meses, mas está tudo certo”, finalizou.

 

Rio do Sul é líder estadual em doações

Em 2017, a saúde de Santa Catarina foi destaque nacional com o maior número de doadores para transplante de órgãos com quase 27 mil transplantes. O recorde de doações totalizou 282 doadores de múltiplos órgãos em 2017, o que representa três vezes mais que a média brasileira.

Proporcionalmente ao número de habitantes e o de pacientes, o município de Rio do Sul, liderou o ranking estadual, pois das 19 entrevistas realizadas com as famílias de possíveis doadores, o Hospital Regional Alto Vale (HRAV), conseguiu 15 efetivações de doação de órgãos após o diagnóstico de morte encefálica.

Leontino disse que este é “um alto índice de aceitação aqui em Rio do Sul” e que hoje o índice já alcança os 70% de famílias que doam os órgãos do ente.

 

Por Elisiane Maciel

Diário do Alto Vale 

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