Vereadora sem votos assume vaga na Câmara de Vereadores em Rio dos Cedros

Vereadora sem votos assume vaga na Câmara de Vereadores em Rio dos Cedros

A foto foi utilizada na candidatura de Gilmara, no site da Justiça Eleitoral

Gilmara Elisa Ricardo é a décima suplente de sua coligação e nem mesmo ela votou em si

O cenário político do município de Rio dos Cedros, no Vale do Itajaí, ganhou repercussão no início desta semana, após uma suplente de vereador ter sido empossada sem ter feito nenhum voto nas últimas eleições. Nem mesmo a candidata, Gilmara Elisa Ricardo (PPS), votou em si. Ela assumiu na última segunda-feira por 30 dias a vaga de outra vereadora. Para que Gilmara entrasse, nove suplentes precisaram renunciar. Ela era a décima e última colocada da coligação PMDB/PPS nas eleições municipais de 2012.

O sistema de rodízio nas Câmaras de Vereadores é comum em algumas regiões do Estado. Nos quatro anos da legislatura, os parlamentares se revezam, o que possibilita que os suplentes sejam empossados. A mais nova vereadora, de 38 anos, que também é presidente do PPS na cidade, explica que colocou seu nome à disposição em 2012 apenas para cumprir com as vagas para as mulheres determinadas pela Justiça Eleitoral.

Natural de Indaial, Gilmara conta que para cada candidata do sexo feminino, dois homens poderiam colocar seu nome à disposição. Para eleger-se vereador na cidade são necessários cerca de 350 votos.

— Nenhuma mulher do partido se disponibilizou. Então eu me candidatei, mas desde o começo disse que iria votar no meu marido — afirmou a vereadora.

Seu marido, Laudenir Barbosa, também é suplente de vereador e concluiu seus 30 dias na última semana. Nas horas vagas Gilmara comercializa chocolates pela região.

Tema é polêmico na região

A posse da vereadora que não recebeu votos dividiu opiniões no município de pouco mais de 11 mil habitantes. O prefeito Fernando Tomaselli (PP). considerou a situação uma afronta ao eleitor e critica o sistema político brasileiro que permite um episódio dessa natureza.

— O vereador é um cargo representativo da sociedade. Mas se ela não recebeu nenhum voto, não representa nem a si mesma — criticou o chefe do Executivo.

Por outro lado, o presidente da Câmara de Vereadores, Jonas Corrente (PMDB), garante que não há nenhum impedimento legal na diplomação concedida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Também defende o sistema de revezamento:

— É a valorização aos candidatos que concorreram na eleição. Ela ficará por 30 dias e ganhará experiência. O fato é inusitado. Estranhei, mas ela foi diplomada — avaliou o parlamentar.

JORNAL DE SANTA CATARINA

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