SC pretende centralizar na capital atendimento telefônico do Samu

SC pretende centralizar na capital atendimento telefônico do Samu

Foto: Rafaela Martins / Agencia RBS

Economia anual com cortes seria de R$ 20 milhões, diz secretaria de saúde.
Profissionais das centrais telefônicas regionais seriam demitidos.

A Secretaria de Saúde de Santa Catariana anunciou que pretende centralizar o atendimento telefônico das emergências médicas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em uma única central em Florianópolis. Segundo o órgão, seriam economizados R$ 20 milhões por ano com a medida. As ambulâncias, no entanto, continuariam com sede em cada município. O projeto deve ser votado nesta quinta-feira (23) na Comissão Intergestora Bipartite (CIB), fórum da secretaria com os municípios.

Atualmente, quem liga para o 192 é atendido por funcionários de uma das oito centrais telefônicas regionais em Santa Catarina, onde trabalham em torno de 1050 pessoas. Com o novo projeto, um atendente da capital vai receber a emergência e, se for preciso, dar o comando para a equipe médica da cidade onde a pessoa ligou.

"Nós estamos mudando a central telefônica. O atendimento, onde a ambulância está, a quantidade de pessoas que está atendendo a comunidade, ficaria o mesmo", disse o secretário de Saúde João Kleinübing sobre médicos e enfermeiros.

A secretaria confirmou que os profissionais das centrais telefônicas regionais seriam demitidos, e não realocados. Já no call center da capital seriam feitas novas contratações e ele funcionaria em um novo espaço, "mais amplo e sem custo, cedido pelo governo do Estado". A secretaria afirmou que o número de corte e de futuras contratações ainda não estão definidos.

Os profissionais do Samu estão receosos. "Com essa centralização, a gente vai tá dando um passo pra trás, o sistema vai entrar em colapso. Vai ser muita ligação centralizada em um único local, onde vai prejudicar o tempo resposta que é o tempo que a gente tem para chegar até a vítima, reverter uma parada cardíaca e salvar uma vida", disse o técnico em enfermagem Marlon Amancio.

De janeiro até abril de 2015, o Samu fez 108.775 atendimentos em Santa Catarina. Uma média de 27.193 pacientes por mês. O atendimento do Samu é feito por funcionários contratados pela empresa Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

Documento de repúdio

Nesta quarta (22), vereadores de cidades do Sul do estado participaram de uma reunião em Criciúma para entender os detalhes da possível mudança. Eles devem encaminhar um documento de repúdio ao governo contra a centralização.

A secretaria informou que, caso a pauta não entre na reunião do CIB desta quinta, ela deve ser votada no próximo encontro, em agosto. 

Problemas no Samu

Em 2015, o Samu registrou diversos problemas. Em fevereiro, funcionários do Samu em Joinville entraram greve por não receber os salários. Já em Florianópolis, as ambulâncias quase pararam por falta de combustível, em abril.

Em junho, uma mulher de 27 anos morreu em Timbó, no Vale, por falta de uma ambulância especializada: a família teve que contratar um veículo particular. Ela só chegou ao hospital depois de sete horas de espera e não resistiu.

G1SC

 

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