Número de mortes em confrontos com a polícia catarinense aumenta 72% em relação a 2013

Operações recentes das polícias Civil e Militar, que terminaram com a morte de suspeitos de crimes, despertaram uma ampla discussão nas redes sociais nos últimos dias. 

O confronto do último domingo, quando cinco bandidos foram mortos por agentes da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, em tentativa de assalto a um banco em Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, foi o principal propulsor do debate. 

O mestre em Ciência Jurídica Alceu de Oliveira Pinto Junior afirma que há uma sensação de insegurança nas pessoas e é ela que coloca em evidência algumas ideias como a de que "bandido bom é o bandido morto". 

– O problema é que entre os que falam isso tem gente que compra bugiganga fraudada, produto pirata, que não declara imposto de renda. Então vale para todo mundo? Ou é uma reação contra a violência? Ou é para todos os bandidos? – questiona. 

De acordo com o 7o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os catarinenses ficaram com a quinta colocação entre os Estados que mais matam no país. Os dados são referentes a 2012, quando o Estado registrou 44 mortes até o final de agosto. 

Em 2014, até essa quarta-feira, o número de mortes em confrontos policiais chegava a 62. No mesmo período de 2013 foram 36, ou seja, aumentaram 72%. O levantamento feito pela Secretaria de Estado de Segurança Pública ainda revela que neste ano as duas corporações alcançaram o maior número de mortes em uma operação. 

Além das cinco mortes em Governador Celso Ramos, os dados atribuem à PM outros cinco óbitos em março deste ano em Balneário Piçarras. Neste caso, os bandidos foram interceptados ao tentar assaltar uma residência no município. 

Responsável por 52 mortes neste ano, a PM é cinco vezes mais letal do que a Civil, que teve 10 vítimas até agosto. Os números foram recebidos com surpresa pelo capitão Darlan Novaes de Queiroz, coordenador do Programa Gerência de Estresse Pós-Traumático da PM. 

– Sempre que um policial passa por uma situação de estresse, como uma operação onde ele teve que atirar em alguém, ele precisa passar pelo programa de atendimento. Todos os policiais apresentam algum sintoma. Percebemos que houve um aumento do fluxo de atendidos este ano, mas não esperava que fosse tão alto. 

Autoridades explicam razões da elevação 

Para o comando da Polícia Militar em Santa Catarina, alguns fatores explicam esse aumento da letalidade: a quantidade de armas circulando, os bandidos estão cada vez mais audaciosos e o trabalho mais efetivo da própria corporação nas ruas. 

É o que pensa o comandante-geral da PM, coronel Valdemir Cabral, que afirma ter conhecimento das estatísticas a respeito das mortes em confronto. 

– Eles (bandidos) estão vindo cometer assaltos armados até os dentes, vão para o tudo ou nada e o nosso policiamento está mais presente, mais forte, chegando quando a ocorrência ainda está acontecendo. Também estamos mais preparados, com armamento novo, para fazer a resposta pelos nossos policiais – diz Cabral. 

O comandante lembra que em todos os casos em que há morte em confronto com a PM são abertos inquéritos na Corregedoria da PM e na Polícia Civil. 

– Não tivemos nenhum policial indiciado este ano, o que mostra que não houve abuso ou excesso – observa ele. 

O delegado-geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D’Ávila, diz que os confrontos têm sido inevitáveis e em todos os ocorridos os policiais agiram em situação de legítima defesa. 

– Lamentamos, pois não é uma estatística que buscamos – diz. 

Em relação a confrontos com mortes envolvendo a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), o delegado ressalta que as equipes enfrentam quadrilhas perigosas do crime organizado que atuam em assaltos a caixas eletrônicos e tráfico de drogas.

DC/RADIO SINTONIA

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