Moradores limpam casas, mas Defesa Civil de Rio do Sul orienta famílias a permanecerem nos abrigos

Moradores limpam casas, mas Defesa Civil de Rio do Sul orienta famílias a permanecerem nos abrigos

O pedreiro Eldes Tambosi passou o dia separando o que ainda podia ser limpo (Foto: Gilmar de Souza)

Depois de cinco dias o aposentado José Floriano, 70 anos, retornou nesta terça-feira à sua casa na Rua Videira, no bairro Barragem, em Rio do Sul, para descobrir qual era a situação deixada pelas águas do Itajaí-Açu depois da enchente do fim de semana. Encontrou as paredes brancas da casa manchadas pela lama que ficou depois que a água baixou. 

De vassoura na mão esfregava até tirar o máximo do lodo, enquanto o filho Sérgio Luis Floriano, 45 anos, jogava água com uma máquina de alta pressão. Apesar de se esmerar na limpeza, José não tinha esperança de voltar ao abrigo do próprio teto: 

– Saí na quinta-feira e vim hoje (terça-feira) só pra limpar, mas voltar ainda não dá, a Defesa Civil disse pra esperar pra não dar transtorno porque tem previsão de vir mais uma chuva forte por aí. A gente está limpando porque se secar não sai mais.

A preocupação de José tem fundamento. A Defesa Civil de Rio do Sul baixou a cota de segurança do nível do rio Itajaí-Açu para 10 metros. Isso significa, segundo o diretor do órgão, Teodoro Luis da Silva, que a cidade ainda está em alerta, pois o rio não voltou ao nível normal e ainda há previsão de chuva com maior intensidade entre sábado e a próxima terça-feira, mas ainda não é possível prever qual será o volume de precipitação. 

– É prudente que as pessoas limpem suas casas, afinal é o bem delas e é claro que não vai esperar essa lama da enchente secar, mas é melhor aguardar para voltar porque ainda é um momento de alerta. Aliás, até o fim de novembro é um período que precisamos ficar atentos. Temos sucessivas entradas de sistemas influenciados pelo El Niño e também pelo clima desse período, então vamos entrar em novembro ainda com chuvas acima da média – explica o diretor da Defesa Civil. 

Separar o que ainda pode ser limpo e o que vai direto para o lixo. Essa era a tarefa que o servente de pedreiro Eldes Ricardo Tambosi, 39 anos, tinha para cumprir ontem na casa onde mora com a esposa e os dois filhos na Estrada da Madeira, no bairro Budag. Eles retiraram do local o que foi possível até a última sexta- feira e foram para um abrigo. Ontem ele foi até a residência para iniciar a limpeza: 

– Hoje vim só para limpar e ver o que dava pra salvar. Aproveitei que o patrão liberou para limpar a casa, mas perdi TV, sofá, armário, colchão... Vou ficar no abrigo porque a Defesa Civil disse que ainda não é para voltar, porque pode vir outra enchente. 

Ele e a família moram no local há cinco meses. Mudaram-se do bairro Canoas porque já tinham perdido toda uma casa em outra enchente. Agora pretende buscar um local que seja mais seguro para tentar viver com tranquilidade. 

Os irmãos Rodolfo Teles Leite, 21 anos, e Rafael Teles Leite, 17, receberam da família a missão de resgatar o que restou na residência situada na Rua Videira, no bairro Barragem. Eles deixaram o local na quarta-feira passada e se abrigaram com parte da mudança na casa do pai, que mora em uma parte mais alta do bairro. Voltaram ontem para verificar o que ainda poderia ser salvo: 

– Perdemos algumas coisas, mas viemos aqui tirar o que a gente tinha levantado, ainda tem bastante coisa. Vamos tentar tirar tudo hoje (ontem) porque dizem que logo vai chover de novo.

Jornal de Santa Catarina 

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