Famílias de Rio do Sul já estão em abrigos por causa da chuva

Famílias de Rio do Sul já estão em abrigos por causa da chuva

Fernanda Ribeiro está no abrigo no bairro Bela Aliança (Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS)

Fernanda Ribeiro, 30 anos, está fora de sua casa há uma semana. Ela amamenta o pequeno Davi, que acaba de completar um mês de vida, sobre a cama montada ao lado de outras duas. Alguns armários, geladeira, fogão e outros móveis delimitam o espaço que ela divide com mais seis pessoas de sua família e que, por enquanto, chama de casa. 

Ela é uma das 152 pessoas que já procuraram os abrigos em Rio do Sul desde o início do alerta de chuvas ainda na semana passada. Há seis abrigos acionados que ainda podem receber famílias, sendo dois no Bela Aliança e um em cada mais atingido: Taboão, Progresso, Santa Rita e Barragem. Uma pequena vila se montou dentro do salão da Comunidade Evangélica Bela Aliança, um dos bairros mais afetados pelas chuvas que atingiram Rio do Sul entre quinta e sexta-feira. 

Na área que é a casa de Fernanda ela cuida do filho recém-nascido e de outro de pouco mais de um ano. Junto com ela ainda estão o marido e outros parentes que deixaram a casa e levaram seus pertences ao abrigo no dia 11 de outubro. Não sabem quando voltarão para casa: 

— A gente conseguiu tirar tudo e aqui se vira como pode. Sei que hoje (sexta-feira) já tem água dentro da minha casa e não sei quando eles vão liberar pra gente voltar. Por enquanto, vamos ficando aqui. 

A casa de Fernanda fica numa das áreas mais próximas ao rio no bairro Bela Aliança, um dos primeiros a alagar com a cheia do Itajaí-Açu. Na tarde de sexta-feira o acesso principal à região ficou bloqueado e as várias casas nas ruas transversais já tinham água ao menos na metade do muro. Muitas pessoas terminavam de tirar ou últimos pertences e buscavam locais seguros para esperar a água baixar. 

Era o caso da diarista Amanda Hersing Klaumann, 45 anos, que esperava no abrigo da Comunidade Evangélica Bela Aliança o retorno de alguns familiares que haviam ido até a casa retirar as portas da casa para que não estragassem com a água da enchente. Ela também está no abrigo desde o dia 11 com mais nove pessoas. Como um dos netos no colo, ela conta que cada vez que o rio sobe o sofrimento é maior. 

— Se der mais uma noite de chuva como foi a que passou vai encher até o Centro de Rio do Sul. Eu tinha voltado pra casa anteontem (quarta-feira), mas voltei hoje (sexta-feira) porque a chuva que deu subiu muito. Lá em casa entro com 8,60m, estou torcendo pra não entrar dessa vez — disse sexta antes das 18h, quando a Defesa Civil informou que o Rio Itajaí-Açu bateu a marca de 8,66m.

Jornal de Santa Catarina 

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