Em Florianópolis, candidata do PSOL defende descriminalização do aborto e liberação da maconha

Em Florianópolis, candidata do PSOL defende descriminalização do aborto e liberação da maconha

A presidenciável como candidato da legenda ao governo do Estado, Afrânio Boppré (esquerda), e ao Senado, Amauri Soares (direita) (Foto: Alexandre Bran

Apesar ter se posicionado sobre os temas, evitados pelos adversários, Luciana Genro afirma que prioridades são reformas no processo eleitoral, na tributação e na dívida pública

Uma candidatura que ouve as insatisfações das ruas. É essa a imagem que tenta emplacar a candidatura do PSOL à presidência, representada pela ex-deputada Luciana Genro. Ela está em Florianópolis para compromissos de campanha e concedeu coletiva sobre as propostas da legenda.

— Nossa diferença é que não fazemos demagogia. Não vamos governar para todos. Vamos contrariar interesses dos poderosos para poder governar para a maioria — disse a candidata, que afirmou querer atrair esses jovens insatisfeitos, das manifestações de junho do ano passado, para encaminhar o apoio de reformas necessárias para o país.

Ela se posicionou em temas normalmente evitados pelos seus adversários: o aborto e a liberação da maconha, por exemplo. Mas o discurso começou focado em críticas ao formato do processo eleitoral — Dilma Rousseff declarou um teto de gasto de R$ 290 milhões na campanha; Genro tem um limite de R$ 900 mil. Em tempo de propaganda eleitoral gratuíta, a petista terá quase doze minutos; a ex-deputada cerca de um minuto.

Mesmo assim, Luciana Genro faz questão de dizer que o embate do PSOL é, sim, contra as três grandes candidaturas postas (PT, com Dilma Rousseff, PSDB, com Aécio Neves, e PSB, com Eduardo Campos).

:: Em frases, as propostas polêmicas

Descriminalização do aborto
— Somos a favor da descriminalização do aborto para evitar a quarta maior causa de morte entre as mulheres, os abortos clandestinos. O Estado é laico. Políticas públicas não podem ser orientadas por orientações religiosas.

Liberação da maconha
— Entendemos que há uma guerra falida contras ass drogas. O mundo está gastando bilhões e bilhões de dólares em uma batalha perdida. A descriminalização da maconha é um passo para reverter essa direção.

Desmilitarização da polícia
— É preciso discutir que polícia nós queremos. Por isso, apoiamos a desvinculação da polícia das Forças Armadas e que não exista concurso para ser oficial. Um chefe não pode nunca ter passado pelo policiamento de rua. Defendemos uma carreira direta.

:: Toque catarinense

A candidata do PSOL fez questão de tratar temas catarinenses. Pontuou, por exemplo, que a ponte Hercílio Luz, além de cartão postal, acaba sendo um símbolo para um lado negativo.

— Ela é um retrato do descaso dos governos com o que é público — disse a presidenciável.

Mas detalhou apenas uma proposta que já teria para Santa Catarina: um plebiscito para que a própria população escolha quais as obras prioritárias que gostaria de ver executadas com os repasses de dinheiro federal.

Da coletiva, Genro participou de uma caminhada pela Rua Felipe Schmidt, no centro da Capital, e depois participa à noite do lançamento da candidatura do vereador Afrânio Boppré na disputa pelo governo do Estado.

:: Reformas necessárias na visão do PSOL

A candidata também fez defesas da necessidade das reformas eleitoral e tributária, como soluções para se chegar a melhor representantes políticos no Congresso e também a mais recursos para investir no tripé Educação, Saúde e Segurança.

Os recursos viriam de três formas, de acordo com Genro:

1) Retirando isenções fiscais desnecessárias por já beneficiarem grandes empresas ou setores altamente lucrativos.

2) Aprovando lei sobre o imposto nas heranças de grandes fortunas, previsto na Constituição de 88 mas nunca regulamentado.

3) Fazendo uma auditoria da dívida publica para avaliar se o montante que se afirma devido pelo Estado é de fato correspondente à dívida real.

DIÁRIO CATARINENSE

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