Dilma sobe o tom e compara Marina a Collor na propaganda política

O programa eleitoral desta terça-feira na televisão subiu o tom das críticas à candidata do PSB, Marina Silva. A propaganda da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) citou o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, sugerindo o que pode acontecer quando se elegem "salvadores da pátria".

 

Aécio Neves (PSDB) foi mais sutil, mas indicou que a ex-ministra representa uma mudança arriscada por conta da falta de experiência. Marina não foi poupada nem pelos candidatos dos partidos nanicos Luciana Genro (PSOL), Zé Maria (PSTU) e Levy Fidelix (PRTB).

O programa de Dilma Rousseff, além da menção ao impeachment de Collor, falou sobre governabilidade. A campanha da petista criticou o discurso da adversária sobre a "nova forma de fazer política" e questionou como a ambientalista, caso eleita, conquistaria apoio dos parlamentares para aprovar projetos.

Foram destacados também trechos do debate de segunda-feira em que Dilma questionou como Marina pretende obter recursos para cumprir suas promessas que, segundo a petista, somam R$ 140 milhões e sobre o petróleo do pré-sal. No trecho, Dilma afirmou que, segundo os jornais, a candidata teria dito que iria reduzir a importância dada ao pré-sal e criticou o fato de o programa de governo de Marina trazer apenas "uma linha" sobre essa fonte de energia, em 250 páginas.

A propaganda da candidata petista à reeleição falou ainda sobre economia ao destacar trecho do debate do SBT em que Dilma disse não haver recessão no país e que a inflação estaria próxima a zero. Com imagens de recortes de jornal ao fundo, o locutor comparou o momento atual com 2009, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando em um momento de crise internacional a imprensa era pessimista com os rumos da economia e, no ano seguinte, o PIB brasileiro cresceu 7,5%.


"Sem força política, as mudanças não acontecem", diz Aécio

Aécio Neves manteve-se na estratégia de evitar críticas diretas a Marina, mas ao mesmo tempo se colocar como alternativa segura ao governo do PT. O tucano mencionou que Marina e ele representam a mudança que a população deseja.

— Respeito a Marina, mas a gente já viu que para mudar tudo que está errado é preciso uma equipe sólida, ideias testadas e força política. Sem força política as mudanças que você deseja não acontecem — afirmou.

Ainda na estratégia de tornar o candidato tucano mais conhecido do eleitorado, a campanha de Aécio voltou a apresentar os feitos dele no governo de Minas Gerais, citando corte de secretarias e eficiência em gestão.

Nanicos também atacam a ambientalista

Os candidatos de partidos menos expressivos também focaram em Marina. Levy Fidelix não mencionou o nome da candidata, mas criticou a bandeira da sustentabilidade da adversária. Luciana Genro e Zé Maria atacaram os apoios recebidos por Marina e a diretriz, segundo eles, pró-mercado da candidata.

— Quer fazer mudança, mas está junto com banqueiros e empresários — disse o candidato do PSTU.

— Essa história de unir todo mundo eu vi em 2002, e isso resultou em um governo Lula voltado para o capital — disse Luciana Genro.

Marina voltou a falar sobre "a nova maneira de fazer política"

O programa de Marina Silva, por sua vez, voltou a reforçar a mensagem central de renovação política.

— A nova maneira de fazer política não começa depois das eleições, começa agora — disse a candidata na abertura de sua fala no programa.

Em resposta aos crescentes ataques de adversários, Marina disse defender uma "atitude ética, sem ataques desqualificados".

O programa da candidata também abordou propostas para saúde e educação. Sobre a promessa de destinar 10% da receita da União para a saúde, com custo estimado de R$ 40 bilhões, Marina argumentou que é uma meta factível.

— O atendimento na saúde é uma questão que não pode ser resolvida de maneira paliativa, a solução é integral. Tudo isso é possível se aprovarmos o projeto de lei do movimento Saúde +10 — afirmou.

Sobre educação, Marina repetiu o bordão de Eduardo Campos de que ele, como governador, fez mais escolas em tempo integral em Pernambuco, que São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro fizeram juntos.

* Estadão Conteúdo/ Rádio Sintonia

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