Debate entre presidenciáveis é marcado por críticas mais duras de Dilma a Marina

O primeiro debate entre as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) após a divulgação do empate das presidenciáveis em pesquisa do instituto Datafolha, onde ambas tiveram 34% das de intenções de voto para primeiro turno, foi marcado por críticas mais duras da presidente à representante do PSB. O evento, promovido pela Folha de São Paulo, UOL, SBT e Jovem Pan, foi realizado nesta segunda-feira nos estúdios da emissora de televisão.

Com 15% das intenções de voto no levantamento, o candidato Aécio Neves (PSDB) seguiu a mesma estratégia do primeiro debate, em que reservou suas críticas ao atual governo. Já os representantes dos partidos nanicos, Eduardo Jorge (PV), Pastor Everaldo (PSC), Levy Fidelix (PRTB) e Luciana Genro (PSOL), alternaram entre a reafirmação da ideologia de seus partidos e a distribuição da artilharia entre os três principais candidatos.

 — O debate consolidou esse novo quadro, onde Marina assumiu plenamente a condição de protagonista da oposição, e não mais um modelo de terceira via. Dilma mostrou que sua candidatura sentiu o golpe. Ficou claro, nas colocações dela, que o alvo direto é Marina — explicou o cientista político Fernando Schüler.

Segundo o especialista, a nova linha de Dilma agora é acentuar a inexperiência da adversária. Um exemplo foi quando a presidente afirmou a Marina que ela “fala, fala, e não diz nada”, após questioná-la sobre de onde sairiam as verbas para tornar aplicáveis promessas como destinar 10% do orçamento federal à educação.

Em sua primeira pergunta, Aécio questionou ao candidato Eduardo Jorge se ele achava que o atual governo fracassou na política econômica, mostrando que seguiria a linha de críticas ao PT apresentada no primeiro debate.

— O que nós temos que fazer, em primeiro lugar, é controlar a inflação, que corrói os salários, e fazer o Brasil voltar a crescer — afirmou o candidato do PSDB.

 

De acordo com Schüler, a saída de Aécio do ataque direto do atual governo pode favorecer sua campanha.

— Neste debate, ficou claro que Aécio passa a assumir uma curiosa opção de terceira via, que antes era ocupada por Marina. Ele foi menos atingido e teve mais liberdade para se colocar de uma maneira mais simpática — relatou o cientista político. 

Sobre os outros candidatos, Schüler relatou que eles tornaram a apresentar jargões ideológicos, como no primeiro debate, e enaltecer o discurso do “eu contra todos”, o que interpreta como “purismo”.
 
1º bloco: perguntas dos candidatos

 O primeiro bloco, que teve perguntas livres entre os candidatos, com réplicas e tréplicas. Dilma foi a primeira a perguntar, questionando a Marina de onde ela arranjaria os R$ 140 bilhões para cobrir as promessas de campanha destinadas a temas como saúde, educação e segurança pública. Marina respondeu iria tirar de tributos e do desperdício.

— A eficiência do gasto público vai garantir o dinheiro para passe livre, mais recursos para a educação — disse Marina.

Na sequência, o candidato Eduardo Jorge questionou Dilma sobre a barbárie nos presídios.

— Recuperar presos é imprescindível. O governo investiu R$ 17,6 bilhões em segurança. Sugerimos uma integração entre o governo federal e estadual para a área de segurança pública, e que os presos recebam cursos do Pronatec — afirmou a presidente.

Luciana Genro decidiu perguntar para Aécio Neves sobre a política para os aposentados.

— Estamos discutindo um aumento para os aposentados, mas precisamos antes controlar a inflação.País que não cresce não gera empregos. Essa é a herança perversa do governo atual — respondeu o candidato.


Com a palavra, Marina Silva questionou ao candidato Pastor Everaldo sobre como ele pretende resolver o problema do saneamento básico no país.

 — O problema do saneamento é competência do município, e por isso precisamos destinar mais recursos para as cidades. Saneamento é um problema sério, mas o cidadão não pode andar na rua porque o bandido está solto. Meu governo vai criar um Ministério da Segurança Pública para cuidar do tema — afirmou Pastor Everaldo, mudando o tema da pergunta para a segurança pública.

Depois, o candidato PSC insistiu no tema e questionou a Levy Fidelix sobre sua proposta para a área.

—O policial ganha pouco, então vamos destinar mais verba para a segurança pública. Também vamos privatizar as penitenciárias e reduzir a maioridade penal — relata Fidelix.

O candidato perguntou a Luciana Genro sobre suas propostas para a economia. 

— O PSOL defende uma revolução na política tributária do país, regulamentando o imposto sobre as grandes fortunas e, com isso, dobrando os gastos com a educação. Também propomos uma auditoria na dívida pública — respondeu a candidata.

2º bloco: perguntas dos jornalistas

No segundo bloco do debate, os jornalistas da Folha de São Paulo, UOL, SBT e Jovem Pan fizeram perguntas aos candidatos, e escolheram outros para comentar a resposta, com direito à réplica.

O jornalista do portal UOL fez a primeira pergunta para Marina.

— A senhora recebeu mais de R$ 1 milhão para palestras nos últimos três anos, mas devido a uma cláusula de confidencialidade, não revelou quais as empresas a contrataram para esses eventos. A senhora acha que isso tem relação com a nova política que defende, com transparência?

— Se as empresas que contrataram meus serviços quiserem revelar quanto pagaram, para mim não há problema nenhum — respondeu. 

Na sequência, o repórter da Folha de São Paulo perguntou para Dilma sobre o recuo da economia no primeiro semestre deste ano. 

— A economia internacional não se recuperou da crise. Isso mostra que a crise não acabou. A diferença do Brasil está em enfrentar o problema sem demitir trabalhadores — afirmou a presidente. 

Citando o mensalão do PSDB, outro jornalista pergunta a Aécio sobre corrupção. 

— Não transformamos condenados da justiça em heróis. Todas as denúncias devem ser investigadas e que cabe à Justiça condenar ou absolver os processados — afirmou o candidato.

Na sequência, Eduardo Jorge foi questionado sobre a posição de seu partido quando à legalização das drogas e do aborto.

— Descriminalização do aborto e legalização com regulação das drogas são bandeiras históricas do PV.

A pergunta seguinte foi para Pastor Everaldo, sobre um processo em que ele é acusado de agressão a ex-mulher.

— Nunca agredi ninguém. Quero reafirmar meu compromisso com a família tradicional. A fortaleza das famílias depende do casamento entre homem e mulher. Sou contra o aborto, sou claro nas minhas defesas — respondeu.

Questionada sobre economia, Luciana diz que os principais candidatos, que chamou de “os três irmãos siameses”, estão apenas comprometidos com os bancos.  

3º bloco: novas perguntas entre candidatos

Dilma escolheu perguntar de novo para Marina:

— Seu programa de governo tem apenas uma linha sobre o Pré-Sal. Por que esse desprezo?

— Não podemos ficar apenas onde a bola está. Temos que ir para onde a bola vai estar, defendemos fontes alternativas de energia — respondeu.

Já Luciana perguntou a Marina se ela é “a segunda via do PSDB”, por ter um programa econômico semelhante aos tucanos. 

— Nós reconhecemos os ganhos históricos da sociedade brasileira. Vamos manter as conquistas dos últimos anos e encarar os novos desafios. Sem crescimento e estabilidade econômica, não há como investir — relatou Marina.

Levy Fidelix questiona a Aécio Neves como ele resolverá o problema dos congestionamentos nas grandes metrópoles. 

— Temos de fazer um planejamento da questão da mobilidade pensando em parcerias com os grandes municípios. Tempo perdido não volta mais, e o governo do PT perdeu muito tempo que poderia ser investido em mobilidade — comentou Aécio.

Depois, o candidato questionou Dilma sobre baixos investimentos em segurança pública. A presidente rebateu que Aécio tem “memória fraca”, já que o governo federal destinou verbas para Minas Gerais investir em segurança.   

Pastor Everaldo decidiu perguntar a Levy Fidelix sobre corrupção. 

— Dando bilhões aos bancos, é claro que não sobra dinheiro para a saúde e para a educação — comentou o candidato do PRTB.

4º bloco: considerações finais

No último bloco do debate, cada candidato teve um minuto para defender suas propostas. Aécio Neves afirmou que a federação será reformada, enquanto Dilma Rousseff relatou que, apesar de defender seu governo, não está satisfeita e pretende trabalhar para melhorar. Eduardo Jorge preferiu convidar os eleitores a procurar suas propostas na internet. Já Levy Fidelix afirmou estar na campanha “para defender o povo”, assim como Luciana Genro, que relatou ter compromisso com os Direitos Humanos. Com a palavra, Marina Silva disse querer ser presidente “para que o eleitor volte a acreditar na política”.

Zero hora/ Rádio sintonia

 

 

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