Construção de novas barragens gera polêmica no Vale do Itajaí

Em Pouso Redondo, agricultores criaram associação e fizeram abaixo-assinado. Moradores de Agrolândia questionam segurança de barragens.

Construção de novas barragens gera polêmica no Vale do Itajaí

Projeto de novas barragens no Vale do Itajaí preocupa moradores e produtores da região

O Governo de Santa Catarina pretende construir mais sete barragens no estado, mas há moradores da região contrários e se mobilizando para tentar impedir a construção. Em Pouso Redondo, os agricultores criaram uma associação e já reuniram seis mil assinaturas em um abaixo-assinado contra a construção de duas barragens na cidade do Vale do Itajaí.

A construção das barragens de Botuverá, Petrolândia e Mirim Doce deve começar no segundo semestre deste ano. Além dessas, o governo planeja construir outras quatro: duas em Agrolândia e duas em Pouso Redondo. Todas para tentar controlar as inundações do Rio Itajaí. A região possui atualmente três barragens.

Segundo a Secretaria de Estado da Defesa Civil, essas obras são fundamentais para diminuir os prejuízos com enchentes e enxurradas no Vale do Itajaí e as construções são baseadas no estudo feito pela Agência de Cooperação Internacional do Japão.

Ainda conforme a Defesa Civil, a eficiência das obras será demonstrada pelo conjunto de barragens e que nenhuma será feitar sem obedecer a legislação. No entanto, a Defesa Civil admitiu que ainda não fez todas as audiências públicas necessárias.

 

150 campos de futebol inundados em Pouso Redondo

Em Pouso Redondo, as duas barragens seriam feitas no mesmo rio, com menos de 10 quilômetros um da outra. Em época de cheia, inundariam uma área equivalente a 150 campos de futebol.

Os agricultores reclamam que vão perder parte da lavoura, estradas vão ficar embaixo d'água, além da tubulação de água da cidade, inaugurada no ano passado, que também vai ficar submersa. Por isso, eles fizeram o abaixo-assinado.

“Primeiro que eles nem estudo têm de quanto isso vai afetar numa enchente lá em Rio do Sul, Rio do Oeste, Laurentino. Eles não sabem dizer para nós se vai ser 1 cm, 2 cm ou se nem isso vai ser. Não é nem só quem fica na barragem que está sendo prejudicado, quem fica abaixo pela desvalorização dos seus bens. Daí o temor, nunca vai dormi sossegado e tranquilo”, diz Marcelo Merini, presidente da Associação dos Moradores Atingidos pelas Barragens.

 

Moradores de Pouso Redondo se mobilizaram  (Foto: Reprodução/RBS TV)

Moradores de Pouso Redondo se mobilizaram (Foto: Reprodução/RBS TV)

 

Moradores dúvidam da segurança das barragens

Em Agrolândia, o clima é de insegurança por falta de informação sobre a construção das duas barragens, segundo a prefeitura.

“Uma resistência das pessoas também é a questão de talvez não ter sido explicado o reflexo que isso teria na vida das pessoas. Eu vou estar aqui tomando uma decisão pelo que a maioria das pessoas decidirem. Hoje, pelo que agente sente, a maioria é contrária”, afirma o prefeito de Agrolândia, Urbano Dalcanale.

Os moradores também reclamam que não foram realizadas audiências públicas. “A audiência pública não foi feita. Vieram com a história que fizeram, mas na verdade não foi feito”, diz Simon Horstmann, proprietário de terra.

Segundo a Defesa Civil, as obras em Agrolândia são de pequeno e médio porte e a área alagada é pequena. Os moradores das comunidades em que seriam feitas as obras também questionam a segurança das barragens e se preocupam com a possibilidade de precisarem se mudar.

“É uma parede muito alta que está com pressão de água, aí o medo e estourar. Vai saber. Seguro, seguro só Deus”, diz o morador Leonardo Reiter.

 

Defesa Civil diz que área inundada em Agrolândia será pequena (Foto: Reprodução/RBS TV)

Defesa Civil diz que área inundada em Agrolândia será pequena (Foto: Reprodução/RBS TV)

 

Função das barragens

O Vale do Itajaí possui três barragens em Ituporanga, Joisé Boiteux e Taió. Em época de seca, as comportas das barragens ficam abertas e a água que chega segue rio abaixo.

As barragens são usadas apenas quando há previsão de muita chuva. Neste caso, a água que chega é represada para que quando o sol voltar e o rio estiver mais baixo, possa ser liberada aos poucos, para evitar inundações.

 

Por G1 SC

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