A importância de Santa Catarina nos planos de Eduardo Campos para chegar ao Palácio do Planalto

Pernambucano articulou pessoalmente apoios para a candidatura

Santa Catarina tinha um papel estratégico na ambição do pernambucano Eduardo Campos de chegar ao Palácio do Planalto. O ex-governador comandou pessoalmente articulações para fortalecer o PSB no Estado e garantir apoios políticos e econômicos para a candidatura presidencial.

O primeiro grande movimento para consolidar o partido em SC foi em direção ao governador Raimundo Colombo, ainda em 2011, primeiro ano de mandato do catarinense. Colombo flertava com a ideia lançada pelo então prefeito paulistano Gilberto Kassab de deixar o desgastado DEM e criar o PSD. Para os demistas, era uma chance de sair da encruzilhada que impedia o diálogo com o governo federal do PT. Para Campos, a chance de articular uma terceira via na eleição de 2014.

As conversas nos bastidores incluíam o ex-senador catarinense Jorge Bornhausen, que passou a incentivar a ideia de que o novo partido formado pela dissidência do DEM se incorporasse ao PSB em torno da candidatura de Campos. O maior receio de Colombo em aderir ao projeto era enfrentar as eleições municipais por um partido novo e que, àquela altura, não tinha certeza de contar com tempo no horário eleitoral gratuito. 

Foi quando o pernambucano entrou em ação e ofereceu a Colombo o comando do PSB em Santa Catarina — exercido na época por Djalma Berger. Se o Tribunal Superior Eleitoral entendesse que o PSD não tinha direito a tempo no horário eleitoral, os ex-demistas poderiam usar o do PSB. 

Dessa forma, Campos permitiu que nomes de confiança do governador catarinense assumissem os principais cargos do PSB-SC — Geraldo Althoff, Murilo Flores e outros históricos pefelistas passaram a comandar os socialistas no Estado. Mesmo com a Justiça garantindo tempo ao PSD, o partido de Campos atuou como suporte em todo o Estado, ajudando a construir vitórias como as de Cesar Souza Junior em Florianópolis.

A dobradinha começou a esfriar quando Kassab e Colombo começaram a se aproximar da presidente Dilma Rousseff do (PT), especialmente a partir de 2013. O governador catarinense conseguiu viabilizar financiamentos de R$ 9 bilhões junto ao governo federal e ao BNDES que deram fôlego à administração. No final daquele ano, começou a dar sinais de que apoiaria a reeleição de Dilma e usava a palavra gratidão como justificativa.

O movimento em direção ao PT nacional contou com respaldo na maior parte da base do PSD. A resistência era justamente Paulo Bornhausen, filho de Jorge e secretário estadual, que não cansava de lembrar o velho compromisso de Colombo com Campos. 
Em agosto do ano passado, o desconforto — e a divisão dos caminhos de Campos e Colombo — foi formalizado com a filiação de Bornhausen ao PSB, que passaria a presidir. O pernambucano veio a Santa Catarina fazer a filiação.

Ao mesmo tempo, o pernambucano articulava uma aproximação com o agronegócio e empresários no Estado. Através da filiação do ex-deputado federal Odacir Zonta, ex-PP, atraiu entidades como a Federação de Agricultura e Pecuária de SC (Faesc) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de SC (Fetaesc) — nem mesmo a filiação da ambientalista Marina Silva ao PSB afetou essa ligação. Nessas articulações, também trouxe para o partido lideranças ligadas a entidades empresariais. Em abril, foi estrela de um encontro com empresários promovido pelo Lide.

Com a porta de Colombo fechada, Campos também participou das articulações que levaram a união de PSDB e PSB em Santa Catarina, no palanque liderado por Paulo Bauer como candidato a governador, tendo Bornhausen como nome para o Senado. No dia 30 de julho, veio ao Estado pela última vez para endossar essa chapa. Em Itajaí, defendeu obras de infraestrutura em Santa Catarina e ironizou os empréstimos federais que levaram Colombo a deixá-lo.

— Queremos dar um olhar mais generoso para Santa Catarina — disse à época.

DIÁRIO CATARINENSE

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