"Se começar a chover e precisar fechar as comportas não vai dar", diz operador da barragem de José Boiteux

Estrutura para contenção de cheias está inativa desde junho de 2014, após invasão dos índios

Foto: Gilmar de Souza / Agencia RBS

Quem não passa perto da barragem de José Boiteux é o operador Vilmar Bueno Castilho, que auxiliava na manutenção do local. Ele foi impedido ir ao espaço desde que o acampamento dos índios Laklãnõ-Xokleng foi montado. 

Vilmar conta que semanalmente as peças eram retificadas e as comportas eram fechadas para evitar falhas no sistema hidráulico. De 15 em 15 dias, um técnico de Rio do Sul checava as bombas: 

– Se começar a chover e precisar fechar as comportas não vai dar. Primeiro toda a estrutura vai ter que passar por uma reforma, e isso leva tempo. Outro perigo é se o painel tiver queimado por causa do excesso de rabicho que os índios puxaram. 

A falta de manutenção de uma estrutura fundamental durante cheias no Vale preocupa o engenheiro hidrólogo do Centro de Operação do Sistema de Alerta (Ceops) da Furb, Ademar Cordero. Nos últimos anos, duas situações colocaram a eficácia da barragem à prova. 

Na enchente de 2011, se não fosse o muro de 58,5 metros, as águas do rio Itajaí-Açu em Blumenau chegariam a 15 metros – ficaram em 13. Em 9 de junho do ano passado, no dia em que os índios montaram acampamento e quando o rio chegou a 10,18 metros, se as comportas não estivessem fechadas o nível subiria a 13 metros. Sem manutenção, ela não entra em operação: 

– A enchente não espera. Se chover três dias aqui na região já podemos ter uma cheia. Além disso, estamos em ano de El Niño e o risco de ocorrer é maior. A previsão é de chuvas, mas o quanto vai chover ninguém sabe e a Defesa Civil precisa tomar uma providência urgente.

Diário Catarinense 

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