Em Alfredo Wagner professora interrompe aula para fazer comida; pais limpam escola

Unidade rural em está com falta de funcionários. Secretaria municipal diz que contratações são inviáveis financeiramente.

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Em Alfredo Wagner professora interrompe aula para fazer comida; pais limpam escola

Foto: RBS TV / Reprodução

Em uma escola na área rural de Alfredo Wagner, uma professora precisa fazer a comida das crianças e os pais, a faxina. Isso porque não há merendeira ou auxiliar de limpeza. A Secretaria Municipal de Educação afirmou que as contratações seriam difíceis financeiramente.

A escola da comunidade rural de Picadas atende estudantes da primeira à quinta séries no sistema de ensino multisseriado. Isso significa que todos os alunos estudam na mesma sala, com a mesma professora. A prática é comum em municípios do interior.

Merenda e faxina

Todos os dias, a única professora precisa parar a aula, deixar os alunos sozinhos e ir para a cozinha preparar o almoço deles. Sem merendeira, a prefeitura exige que ela assuma mais essa responsabilidade.

Por causa da falta de funcionários, são os pais que realizam a limpeza. "Uma vez na semana, uma mãe, geralmente, vem fazer a faxina para manter a escola pelo menos mais organizada", afirmou Cleita Horst, mãe de um aluno.

 

Sem auxiliar de limpeza, pais fazem faxina na escola (Foto: Reprodução/RBS TV)

Sem auxiliar de limpeza, pais fazem faxina na escola (Foto: Reprodução/RBS TV)

 

Com a falta de uma pessoa responsável pela cozinha, o controle sobre a comida não é o ideal. Os pais mostraram à RBS TV alimentos com a validade vencida.

"Tinha carne ali porque a professora não faz, daí fica estragando. Eu não sei porque eles mandam, porque ela não tem tempo para fazer", relatou Ana Horst, mãe de um estudante.

Secretaria

Sobre a falta de merendeira na escola, a secretária municipal de Educação, Valneide da Cunha Campos, afirmou: "Primeiro a gente tem que criar o cargo, ter mais vagas para esse cargo, e segundo porque nós temos 12 alunos ali e 11 alunos na outra escola. A gente poderia arrumar de outra forma. Se nós conseguíssemos, nós teríamos que contratar duas merendeiras já para poucos alunos. Por isso a gente conta com a participação já dos pais naquela comunidade".

A secretária também é professora e reconhece que o acúmulo de funções da profissional não é o ideal. "Com certeza não é a melhor forma. Tirar as crianças do campo, não acho que é a grande sacada, vamos dizer assim. Eu acho que as crianças têm que permanecer lá. Só que aí, como a gente tem poucas turmas também nas comunidades, dificulta. Dificulta também por causa de recursos financeiros para estar pagando", disse.

Os pais dizem que, no início do ano, a prefeitura prometeu contratar uma merendeira. A professora da escola foi procurada pela RBS TV, mas preferiu não participar da reportagem.

G1SC

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