Produtores sofrem com a estiagem

Baixo volume de chuva no estado preocupa agricultores do Alto Vale.

Produtores sofrem com a estiagem

Foto: DAV / Reprodução

 

Quatro municípios da região do Alto estão em estado de emergência por conta do baixo volume de chuva registrado nas últimas semanas. Em Chapadão do Lageado, Salete, Taió e José Boiteux, o nível dos rios está bem abaixo do normal, situação que preocupa os agricultores, que já começaram a sentir os impactos da estiagem que se arrasta por diversos municípios de Santa Catarina.

Em Salete, os produtores de fumo, milho e leite já registram prejuízos relacionados à falta de chuva. De acordo com a secretária de Agricultura do município, Anadir Koch Belli, muitos agricultores que já plantaram o fumo correm o risco de perder a produção. “Muitos plantaram o fumo e ele não está desenvolvendo, vai acabar florescendo e logo se perde a produção. Outros não conseguiram plantar o fumo, ainda está nos canteiros, e isso é uma perda muito grande. Vai atrasar a plantação em mais de um mês”, conta a secretária.

Outro problema está na plantação do milho para a silagem, que não está sendo feita. Segundo Anadir, isso significa que pode faltar alimento para as vacas e prejudicar a produção de leite. Além disso, a pastagem e a água para o gado também estão secando. “Há uma procura bem grande na Secretaria de Agricultura para fazermos buracos para a água para o gado, porque as nascentes que tinham estão secas e o rio está muito baixo”, ressalta.

O secretário de Agricultura de Chapadão do Lageado, Marcos Aurélio Jasper, também afirma que no município o nível do rio está muito abaixo do normal. No entanto, ele ressalta que ainda não há prejuízos registrados entre os produtores, apesar da falta de chuva ser preocupante. “Preocupa muito, porque querendo ou não você tem que ter o trabalho de irrigar a plantação. Tem produtores que estão com o açude seco, nem água para irrigar tem mais”, conta Jasper.

O pesquisador de hidrologia da Epagri/Ciram, Guilherme Miranda, diz que todos os municípios que são cabeceiras do Alto Vale do Itajaí estão em uma situação crítica, porque são locais onde a água não está sendo suficiente para atender a demanda hídrica da região. “Nesse mês de setembro, devido às chuvas irregulares em todo o estado, houve uma quantidade bastante insignificante de chuva, na média de 2,5 milímetros, que faz com que nós tenhamos um déficit hídrico muito grande em toda a região do Alto Vale”, explica.

Ainda segundo Miranda, o baixo nível dos rios afeta tanto a atividade da indústria e agricultura, quanto o abastecimento de água. Na última sexta-feira (15), por exemplo, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) emitiu um comunicado pedindo que a população economize água por conta da estiagem que atinge o estado. A orientação é que sejam evitadas atitudes como lavar calçadas e carros com mangueira ou escovar os dentes com a torneira aberta.

De acordo com os meteorologistas da Epagri/Ciram, há chuva prevista para os próximos dias 23 e 24, porém ela deve se localizar na divisa do Rio Grande do Sul. “A situação vai ser revertida provavelmente só no dia 28. Porém, a gente ainda está esperando para ter uma ideia se essa chuva vai ser significativa para atender essa deficiência hídrica que está ocorrendo aí no Alto Vale”, declara o pesquisador de hidrologia.

 

Por Carolina Ignaczuk

Diário do Alto Vale 

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