Produtores encerram plantio de cebola com boas expectativas

Nova safra inicia sem aumento de área cultivada e diminuição da semeadura direta.

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Produtores encerram plantio de cebola com boas expectativas

Foto: Divulgação

 

O plantio da safra de cebola 2018/19 já encerrou para a maioria dos produtores da região do Alto Vale do Itajaí. É o caso de Rodrigo Eifler, produtor da Tifa Daman, em Bela Vista Ituporanga. Eifler finalizou o plantio na semana passada e agora espera que o clima colabore para que tenha bons resultados nesse ano, já que na safra que passou a produtividade caiu pela metade por conta da falta de chuva. “Até o momento nossa expectativa está boa, ao contrário da safra passada, que tive problemas com granizo já durante a produção das mudas e depois a estiagem durante o desenvolvimento da lavoura fez reduzir a produção”, conta.

O cebolicultor cultiva 9 hectares da hortaliça na propriedade e espera esse ano colher em média 40 toneladas por hectare, o dobro da produtividade da safra que passou. “As previsões estão indicando chuva até acima do normal, para os meses de setembro e outubro e isso nos deixa animado porque é sinal que teremos boa produtividade, já que no ano passado, a grande maioria dos produtores, principalmente aqui na Bela Vista, não colheram mais que 20 toneladas por hectare, por conta da seca”, acrescenta o produtor.

Com 38 anos, Rodrigo toca a propriedade com a esposa e dois filhos. O amor pelo cultivo da hortaliça veio de casa, já que o pai também era cebolicultor. Mas apesar de boas expectativas com essa safra, o agricultor lembra que toda safra é um desafio. “Cada safra de cebola é uma surpresa, porque nós produtores  não temos garantia. Dependemos principalmente do clima, quando corre tudo bem, o retorno é garantido, mas quando temos problemas com granizo ou seca por exemplo, perdemos praticamente tudo o que investimos”, pontua.

Área cultivada não deve aumentar

Dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) apontam algumas tendências para essa safra. Uma delas é a manutenção da mesma quantidade de área cultivada na safra passada. Daniel Schimitt, coordenador da Câmara Setorial da Cebola em Santa Catarina e coordenador regional da Epagri, explica que a princípio havia uma expectativa de um pequeno aumento com relação às áreas de cultivo. “Como a safra encerrou com bons preços, com a cebola sendo comercializada a R$3,50 o quilo, havia a tendência de que se pudesse aumentar a área por conta dos produtores aventureiros que chamamos, mas pelo que temos observado isso não aconteceu, a tanto aqui no Alto Vale, como nas demais regiões do estado não houve aumento de área”, explica Schimitt.

Redução da semeadura direta

Outra tendência que tem se observado no decorrer das safras e nesse ano está bem evidente é o retorno ao plantio convencional, com a produção de mudas em canteiros para depois fazer o transplante. De acordo com Schimitt por algum tempo esse caminho foi inverso e os produtores estavam apostando no plantio direto. “Nós temos novamente uma redução na semeadura direta. Um dos motivos é que ainda é uma tecnologia não completamente adaptada as nossas condições de clima e de solo na região, Então ela não dá uma segurança para os nossos produtores”, comenta.

Em contrapartida, o coordenador da Câmara Setorial da Cebola em Santa Catarina explica que o sistema tradicional com o transplante de mudas permite uma garantia maior no desenvolvimento da hortaliça. “Quando você coloca uma muda no solo, você tem ali uma planta com maior resistência que já tem um acumulado de energia capaz de resistir, por exemplo, a um período de clima adverso com uma estiagem, que uma sementinha ou uma mudinha muito pequena tem mais dificuldade”, explica.

Alem disso Rodrigo Eifler, que já foi adepto do plantio direto, ressalta que com o passar dos anos, o solo começou a ficar infestado por ervas daninhas, fazendo com que o agricultor precisasse investir mais em defensivos para que pudesse controlar a produção. “Aos poucos foi ficando inviável a semeadura direta. Aqui na Bela Vista, praticamente todos os produtores voltaram ao sistema convencional, apesar de mais mão de obra, a produtividade e a facilidade no manejo da lavoura tem compensado o plantio convencional”, comenta.

Na região do Alto Vale o plantio direto surgiu como uma alternativa para reduzir a contratação da mão-de-obra, em um período onde eram freqüentes as fiscalizações por parte do Ministério do Trabalho. Porem, apesar de eficaz nesse quesito, o sistema de acordo com Daniel Schimitt, coordenador regional da Epagri no Alto Vale, tem se adaptado e tido resultados positivos apenas em regiões de clima mais seco, onde existe a possibilidade de controlar as irrigações e ter também um controle maior do clima.     

 

Por Adriane Rengel

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