Iniciada colheita da cebola no Alto Vale

Produtores que tiveram problemas no combate de doenças esperam agora por bom preços.

Iniciada colheita da cebola no Alto Vale

Foto: DAV / Reprodução

 

A colheita da safra de cebola 2017/2018 já começou na região do Alto Vale do Itajaí. Como na safra passada, muitos produtores tiveram problemas no controle de doenças, e alguns acabaram perdendo toda a produção prevista. Quem conseguiu manter a sanidade das lavouras espera agora um bom preço para iniciar a comercialização do produto.

É o caso do agricultor de Atalanta, Adriano Mees. O produtor já iniciou a colheita da safra, mas só pensa em vender se o preço melhorar. “Se o preço subir pelo menos 20% dá de vender”. Nesse momento, de acordo com as informações da pesquisa de mercado realizada pelo Instituto Epagri/Cepa na região, a cebola está sendo comercializada entre R$0,90 e R$ 1 o quilo.

Como outros produtores, Adriano espera um bom preço para suprir o custo de produção que mais uma vez foi elevado. Como o clima não ajudou muito, foi necessário intensificar as aplicações para o tratamento de doenças, como o mofo, por exemplo. Apesar do clima adverso, o agricultor de Atalanta conseguiu manter a lavoura em boas condições. “Quanto à doença de mofo, a lavoura sofreu um pouco, mas não chegou a ser grande o prejuízo”, comentou.

Os problemas que o clima atípico causou para os produtores da região é pontuado também pelo coordenador da Câmara Setorial da Cebola em Santa Catarina Daniel Schimit.

“Mais uma safra, relativamente difícil para os produtores que tiveram que gastar muito para conseguir controlar as doenças que atingiram as lavouras severamente. Tivemos pouca luminosidade na primavera que afetou demasiadamente as lavouras e facilitou a entrada do mofo e o desenvolvimento do tripes, que é o piolho da cebola. Alguns tiveram prejuízos consideráveis e outros até perdas totais. Isso é reflexo de uma condição climática extrema”, relata.

O engenheiro agrônomo acrescenta que o que preocupa é a reincidência de doenças que têm afetado a cultura da cebola na região.

“Ano passado, tivemos o aparecimento do “Iris yellow spot vírus”, que trouxe muitos prejuízos, e nesse ano, esse vírus voltou a atingir algumas lavouras e associado ao mofo causou prejuízos semelhantes ao ano passado. O que preocupa, é que essas doenças aparecem por conta do que chamamos de “estresse climático” pelo qual as plantas tem passado, e isso ocorre porque o clima da nossa região não é o mais favorável para o cultivo, então a tendência é que esses vírus e essas doenças continuem a atingir as lavouras”, explica.

Associada a condição climática desfavorável, está também a facilidade da transmissão dessas viroses que ocorre na maioria das vezes pelo tripes e dificulta o controle.

“Nós provavelmente no futuro vamos ter ainda mais problemas com essas viroses. Já temos duas doenças oficialmente diagnosticadas e a tendência é que possam aumentar dado a associação desses vários fatores”, ressalta. Aqui na região do Alto Vale as lavouras mais afetadas pelas viroses foram as de variedades precoces.

 

Mercado de cebola

Apesar das perdas, as expectativas são boas para a comercialização da cebola catarinense. Nesse momento o mercado brasileiro é abastecido pelas safras de Goiás, Minas Gerais e Piedade no Sul de São Paulo. Nessas regiões as safras estão sendo encerradas e em breve a expectativa é que a cebola catarina fique praticamente sozinha no mercado.

Em Santa Catarina houve redução, na área plantada, principalmente no planalto, onde estima-se que a produção reduziu pela metade. Houve redução também no Rio Grande do Sul e no Paraná, alem de atraso na lavoura nesses estados.

“Avaliando tudo o que está pra ser colhido de agora e que possa ser vendido até abril ou maio de 2019, a oferta prevista e o consumo brasileiro estão bem ajustados, ou seja, não há uma perspectiva de excesso de oferta nesse período, fazendo matematicamente as contas há uma perspectiva bastante positiva”, pontua.

Outro ponto positivo para uma boa expectativa para a comercialização da cebola catarinense, é a redução da oferta da cebola da Bahia nesse período. O coordenador da Câmara Setorial da Cebola explica que os produtores de Irece estavam investindo em duas safras e uma das colheitas estava coincidindo com a época da colheita catarinense, mas nesse ano, o estado foi afetado por condições climáticas adversas, e isso acaba favorecendo a comercialização da produção de Santa Catarina.

“Tiveram problemas de fornecimento de água, houve problemas com o preço na comercialização do produto há uns quatro ou cinco meses passados e isso acabou gerando uma falta de incentivo para investimento na lavoura que coincidia mais significativamente com a nossa”.

Além da oferta nacional, outro dado levado em consideração na hora de analisar as expectativas de mercado é a oferta da cebola de outros países. Desde o ano passado, com a inclusão da cebola na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec) uma taxa extra está sendo cobrada na entrada da cebola que vem especialmente da Europa, porém nesse ano, essa tarifa não deve interferir muito, porque as produções sofreram quedas significativas.

“A produção europeia em especial da Holanda, Bélgica, Alemanha e Inglaterra, quebrou entre 30 e 40% por causa de uma seca. Os preços hoje estão bastante altos. Em geral eles comercializam cebolas em torno de 20 centavos de euro, hoje já está de 35 a 40, uma demonstração que já existe falta de produto no mercado e a tendência é que eles priorizem o mercado local. Da Argentina, também não há perspectiva porque a área plantada é praticamente a mesma com baixo investimento, uma vez que a economia argentina está bastante complicada”, esclarece.

 

Por Adriane Rengel

Diário do Alto Vale

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