Campo futuro em Ituporanga levanta custos de produção de cebola

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Os custos de produção da cebola foram levantados durante Painel do Projeto Campo Futuro, realizado nessa terça-feira (3) com os produtores da região de Ituporanga (SC). A iniciativa também oportunizou apresentar aos produtores a metodologia de análise de custos adotada no projeto que é desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Centro de Inteligência de Mercado da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA), com a parceria do Sistema FAESC/SENAR-SC e Sindicato Rural da região.

O evento contou com participação do presidente do Sindicato Rural de Ituporanga, Arny Mohr, que ressaltou a importância da iniciativa para fortalecer o segmento no município que é reconhecido como capital nacional da cebola. O presidente do Sistema FAESC/SENAR-SC, José Zeferino Pedrozo, reconheceu o potencial do município e destacou que os resultados do Campo Futuro serão fundamentais para que o setor seja ainda mais valorizado. “A partir do próximo mês, com o relatório completo, teremos todo o embasamento que precisamos para o planejamento de políticas públicas focadas na realidade local. Sem dúvida, fortaleceremos ainda mais essa atividade tão representativa para o Estado e para o País”. 

O evento foi coordenado pela assessora técnica de frutas, hortaliças e flores da CNA, Letícia Fonseca e pelo assessor técnico do núcleo de inteligência de mercado da entidade, Thiago Rodrigues. Segundo eles, a análise de custos foi feita com base em uma propriedade modal, aquela que melhor representa as propriedades da região. Assim, o modelo adotado foi uma propriedade de 20 hectares, dos quais seis são de lavoura de cebola, com produção de 30 ton/ha.

Letícia explicou que o ciclo da cebola gira em torno de seis meses e, após colhida, a produção é armazenada em galpões e comercializada de acordo com a demanda e preço de mercado. “Em razão deste processo, foi necessário considerar uma perda de 20% sob a produção, resultando na comercialização de 24 ton/ha. O valor pago foi definido de acordo com a classificação da produção, tendo preço médio de R$ 1,39/kg”.

 

Segundo os produtores, as lavouras da região são, em sua maioria, provenientes da agricultura familiar, com maior atuação dos familiares, sendo contratada mão de obra para as atividades de plantio, transplantio e colheita. O semeio é realizado primeiramente em canteiros e, após o desenvolvimento inicial, é realizado o transplantio na lavoura definitiva.

A metodologia adotada traz informações sobre: os Custos Operacionais Efetivos (COE), que inclui todos os itens consideradas como variáveis ou gastos diretos representados pelo dispêndio em dinheiro, tais como insumos, mão de obra e serviços terceirizados; o Custo Operacional Total (COT), que é formado pela soma do COE, depreciação dos equipamentos, maquinário e outros bens e o pró-labore, que corresponde à remuneração dos proprietários; e o Custo Total (CT), que representa a soma do COT com o custo oportunidade de uso do capital e da terra.

 

De acordo com Letícia, no cenário proposto, é possível dizer que a colheita e pós-colheita representam 20% do COE. Já, a condução, representa 56% do COE, dos quais 16% são referentes à aquisição de fertilizantes e 19% de defensivos.

 

Letícia destacou, ainda, que o desafio é grande e a produção de cebola, assim como outras atividades agropecuárias, apresenta alto estoque de capital imobilizado. “Entre galpão, tratores, máquina classificadora e outros, para se manter na atividade em longo prazo, o empreendimento deve apresentar receita superior ao CT. A produtividade, classificação e preços pagos são fatores determinantes nesta análise”. 

CAMPO FUTURO

As atividades agropecuárias e respectivas regiões foram definidas com base na necessidade de atualização das informações e inclusão de novos polos produtivos. Para o levantamento de dados é utilizada a metodologia de painel de produção que consiste em reunir entre 10 e 15 produtores típicos da região e profissionais da área para identificar, mediante debates e planilhas específicas, o sistema de produção local e custos diretos e indiretos. A programação do Campo Futuro segue nesta quinta-feira (5), das 14h às 18 horas, com Painel em São Joaquim focado para o cultivo da maçã.

 

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