28 de Julho - Dia do Agricultor: tabaco, cebola e beterraba: a combinação da família Cardoso em Imbuia

28 de Julho - Dia do Agricultor: tabaco, cebola e beterraba: a combinação da família Cardoso em Imbuia

Casal Rosangela e Vilson se destaca na atividade (Fotos: Ana Cristina dos Santos/Divulgação)

O desafio do agronegócio na pequena propriedade é encontrar um arranjo produtivo que mais se encaixe nas suas necessidades. Vocação, disponibilidade de mão de obra, assistência técnica e mercado são alguns dos fatores que ajudam na hora da decisão. Em Imbuia, interior de Santa Catarina, a família Cardoso encontrou na produção de tabaco, cebola e beterraba a melhor combinação para o sucesso na atividade e tem bons motivos para comemorar o Dia do Agricultor, celebrado nesta quinta-feira, 28 de julho.

Há nove anos, eles participam do Programa Propriedade Sustentável, desenvolvido em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaesc), Federação da Agricultura de Santa Catarina (Faesc), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) e Souza Cruz. Com foco, planejamento e gestão, eles alcançaram a estabilidade da propriedade de 21 hectares, na localidade de Garrafão.

Todos os dados econômicos da propriedade, desde 2007, estão registrados. São eles a base do planejamento anual, realizado com auxílio do orientador agrícola de Sustentabilidade, Silvio Volpato. “Usamos a média dos três últimos anos e projetamos o próximo ano. Com o planejamento, tudo fica mais fácil”, frisa o produtor.

Este ano, a safra de tabaco será de 45 mil pés, distribuídos em 2,8 hectares, usando plantio direto e camalhão alto de base larga. Já a cebola deve ocupar quatro hectares, com plantio direto e convencional, com expectativa de produzir 20 mil quilos por hectare. Este ano, Cardoso ainda vai 2,3 hectares de beterraba, com estimativa de produção total de 62 toneladas do produto. Caso a projeção se confirme, as três culturas devem gerar para a família uma renda salarial anual de R$ 60 mil.

Na última safra, em virtude do fenômeno El Niño, a produtividade  do tabaco ficou abaixo da esperada atingindo 2.289 Kg/ha. “Mas, por outro lado, ganhamos com uma qualidade melhor”, destacou Cardoso. Já a safra de cebola teve uma grande quebra, em virtude das fortes chuvas ocorridas na região. “Quando temos dois produtos, um sempre ajuda o outro, seja no resultado financeiro ou na conservação do solo, com a rotação de culturas. O tabaco é mais estável, mais seguro, e a cebola oscila mais”, garante. Em anos de clima e cenário favoráveis, o tabaco representa 60% da renda da família e a cebola os outros 40%.

Casado com Rosângela Cardoso, 39 anos, e pai de dois filhos Gabriel Antonio (16) e José Vitor (13) – estudantes do 9º e 8º anos do Ensino Fundamental no Colégio Frei Manoel Felipe, respectivamente - Vilson enfrenta com disposição e otimismo a tarefa de ser um empresário do campo. Além de gerenciar a propriedade, ele ainda participa de cursos de gestão, informática, novas tecnologias e eventos relacionados com a agricultura. Com o pensamento de que conhecimento não ocupa espaço, acredita que sempre tem algo a aprender. “A gente sempre aprende algo novo e isso é o mais importante”, salienta.

Além de participar do Programa Propriedade Sustentável, a família Cardoso ainda integra o grupo de produtores catarinenses que busca a certificação da Produção Integrada (PI) de Tabaco, e mantém sua propriedade como referência na difusão de novas tecnologias de produção de tabaco. Além disso, a propriedade é autossuficiente em lenha, com a produção de eucalipto em 2,5 hectares, tem dois hectares de mata nativa e possui duas fontes de água preservadas, que abastecem a família e os vizinhos próximos. “O programa tem permitido o desenvolvimento destes produtores e a busca do equilíbrio entre fatores econômicos, sociais e ambientais. E os bons resultados têm auxiliado no resgate do orgulho em ser agricultor e numa melhor qualidade de vida para o produtor e sua família”, destaca o gerente de Sustentabilidade em Produção Agrícola da Souza Cruz, Claudimir Rodrigues.

Saiba mais: Fundada em 1903, a Souza Cruz tem marcado a sua atuação pelo pioneirismo. Um exemplo é início do Sistema Integrado de Produção de Tabaco, em 1918. A empresa tem uma atuação focada em questões sociais, econômicas e ambientais, como é o caso da não-utilização de mão de obra de menores de 18 anos na cultura de tabaco, da redução do uso de agrotóxicos, da preservação da mata nativa e incentivo ao reflorestamento, do desenvolvimento de novas tecnologias, entre outras. Todas as iniciativas de sustentabilidade econômica, social e ambiental voltadas aos seus produtores integrados, estão englobadas pela Plataforma Produtor Rural Sustentável.

O Programa Propriedade Sustentável é focado em oferecer aos parceiros produtores rurais integrados ferramentas de gestão e de capacitação para aprimorar os sistemas produtivos das propriedades no seu todo, com ênfase no desenvolvimento sustentável, planejamento de atividades, gestão financeira e respeito às questões socioambientais. O Programa foca a propriedade como uma unidade produtiva no seu todo, considerando a diversificação viável de atividades e de culturas como base para a mensuração de resultados, de acordo com a aptidão do produtor e a sua disponibilidade de recursos humanos, naturais e econômicos.

Histórico - O Programa Propriedade Sustentável começou a ser desenvolvido em 2007, em conjunto com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina (Epagri) e Federação dos Trabalhadores Rurais de Santa Catarina (Fetaesc). Em 2009, o Programa foi expandido para o Rio Grande do Sul e Paraná, em parceria com as Federações dos Trabalhadores Rurais do RS (Fetag) e Federação dos Trabalhadores Rurais do PR (Fetaep), totalizando seis módulos distintos de 20 produtores, ou seja, 120 propriedades. Em 2011, o Projeto teve mais uma expansão e foram estabelecidos quatro módulos distintos para cada estado, totalizando 12 módulos com 240 propriedades no total.

Prática – O Programa acompanha e contabiliza as atividades agropecuárias das propriedades rurais familiares através de um programa da Epagri denominado Contagri, visando conhecer e entender a dinâmica social, econômica e ambiental nestas propriedades. O programa visa ainda, a capacitação gerencial e sustentável do agronegócio na pequena propriedade familiar produtora de tabaco, considerando a otimização econômica dos ativos disponíveis (terra, mão de obra e capital), a gestão financeira e o respeito às questões socioambientais e para isto é realizado com o auxílio de uma ferramenta denominada Plesagri, desenvolvida pela Fetaesc.

Resultados – Com a implementação do programa nas propriedades de tabaco é possível identificar e propor modelos econômicos sustentáveis ao produtor e sua família, no que tange à margem bruta (MB) obtida na propriedade (MB = renda total - custos dos insumos gastos para a produção); a identificação de remunerações mensais e anuais por cada integrante familiar; o desenvolvimento da capacidade de avaliar e gerir riscos e oportunidades da sua atividade (nas questões econômicas, sociais, ambientais e regulatórias) e da capacidade de manter a agricultura como uma atividade de interesse para os jovens através de empreendimentos rurais comprovadamente viáveis, possibilitando tornar a sua propriedade uma empresa rural e a ele como empreendedor em um empresário rural; com possibilidade de incremento de produtividade e qualidade da produção.

Ana Cristina dos Santos / Four Comunicação 

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