A seis meses das eleições, SC tem cenário fragmentado na disputa pelo governo

A seis meses das eleições, SC tem cenário fragmentado na disputa pelo governo

Foto: Nelson Jr / TSE

 

Santa Catarina chega aos seis últimos meses antes das eleições com um cenário fragmentado e indefinido. Com o fim da aliança que elegeu e reelegeu os últimos dois governadores praticamente selado, os dois partidos que dão base ao acordo trabalham pré-candidaturas separadas — o PMDB com dois nomes, o PSD com um que não é unanimidade e que ainda tem outra sigla atrelada ao projeto, o PP, que também não descarta lançar candidato próprio.

O PSDB, com bom capital político da última disputa, é uma das noivas mais cortejadas e, por ter esta condição, observa o quadro aparentemente com mais tranquilidade e definição. O PT se movimenta para um projeto que pode levar às urnas uma figura até então fora do círculo político-partidário, enquanto o PR investe em sua principal liderança no Estado e o PSOL aposta na juventude para se mostrar como alternativa à esquerda.

Como última peça do jogo entrou o DEM, que passa a flertar com a cabeça de chapa com a filiação de um dissidente pessedista com forte influência no Vale do Itajaí, um dos principais colégios eleitorais do Estado.

Confira o cenário em cada partido que tem pré-candidatos ao governo:

DEM
O deputado federal João Paulo Kleinübing saiu do PSD e voltou para o DEM na janela de troca partidária em março. Assumiu a presidência do partido no Estado e se lançou pré-candidato ao governo catarinense, mas é visto também nos bastidores como um bom nome para compor a chapa majoritária como vice em uma eventual aliança.

PMDB
O prefeito de Joinville Udo Döhler, que primeiro se manteve cauteloso sobre participar da sucessão estadual e depois praticamente escancarou a disposição em entrar na briga, no fim optou pela segurança de continuar na prefeitura até o fim do mandato. Sem garantias claras e definitivas do PMDB de que seria o candidato do partido se renunciasse ao executivo municipal, Udo fica na prefeitura, praticamente sepulta a possibilidade da aliança com o PSD ser mantida e oficializa que Mauro Mariani e Eduardo Pinho Moreira — ainda que não abertamente por enquanto —, disputam a indicação peemedebista para concorrer ao governo catarinense.

Embora manifestasse — e ainda manifeste — que Mauro Mariani é o pré-candidato do PMDB, o discurso de Eduardo Pinho Moreira começou a mudar quando ele assumiu o governo de SC com a licença de Raimundo Colombo. Em entrevistas pouco antes da posse, ele reforçou que ao contrário de 2006, quando assumiu para Luiz Henrique da Silveira se dedicar à reeleição, desta vez governará para valer. Disse que, com sua trajetória política e com as ações de sua curta estadia na Casa d'Agronômica, "não pode se excluir" do processo eleitoral. A corrida pela indicação do partido deve durar mais alguns meses e o desempenho em pesquisas mais para frente deve ser decisivo, mas com a caneta na mão, Pinho ganha força na concorrência ainda velada com Mariani.

PP
A vontade de Esperidião Amin voltar a governar Santa Catarina nunca foi exatamente um segredo, e em um cenário fragmentado com o iminente fim da aliança que elegeu os governadores dos últimos 16 anos, o pepista se movimenta. Colocou o nome à disposição como pré-candidato do partido e defende que o apoio declarado até oficialmente ao PSD não signifique necessariamente uma obrigação de que a cabeça de chapa será pessedista. Ainda busca apoio, interno e externo, para entrar de vez na disputa. O Senado é uma opção possível e até provável, mas dependendo de quem for o vice na eventual chapa que vem se desenhando com Gelson Merisio à frente. Se a mulher de Esperidião, Angela Amin, for a escolhida, o pepista deve tentar a reeleição à Câmara dos Deputados.

PR
O presidente estadual do PR, deputado federal Jorginho Mello, é também pré-candidato ao governo do Estado e espera colher frutos do apoio que deve dar a Jair Bolsonaro na corrida pelo Planalto. Pesquisas eleitorais até agora têm mostrado que o presidenciável tem grande aceitação e intenção de votos em Santa Catarina, e Jorginho projeta chegar ao segundo turno e garantir boas votações para candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados surfando essa onda. 

PSD
Nos últimos meses o ex-deputado e ex-conselheiro do TCE Júlio Garcia entrou em campo e lançou João Rodrigues como também pré-candidato do PSD ao governo, num contraponto a Gelson Merisio. A ideia até contava com a simpatia de boa parcela do partido, mas acabou sepultada com o julgamento, condenação e prisão no regime semiaberto do deputado federal por situações de quando ele era prefeito de Pinhalzinho, na década de 1990. Mesmo que ainda consiga viabilidade política e jurídica para estar nas eleições de 2018, Rodrigues não deve ir além de tentar a reeleição à Câmara dos Deputados. Merisio, embora não seja unanimidade no PSD, sai fortalecido, vem agregando pequenas e médias siglas ao seu projeto e volta a ser o único pré-candidato pessedista até agora.

PSDB
Napoleão Bernardes confirmou os rumores que o rondavam desde a reeleição à prefeitura de Blumenau, em 2016. Foi à Câmara de Vereadores, onde começou a carreira política, e renunciou para participar das eleições de 2018. A intenção é se colocar como pré-candidato ao governo, embora Paulo Bauer ocupe oficialmente esse papel até agora. Como o partido diz que não abre mão da cabeça de chapa e tem encontrado dificuldades em encontrar outras siglas importantes dispostas a aceitarem essa condição, os tucanos não descartam uma chapa pura. Nesse cenário, o nome de Napoleão apareceria naturalmente como candidato a vice. Com ou sem composição com outra legenda, disputar o Senado também é uma possibilidade considerável. Se nada disso de certo, restará a Câmara dos Deputados.

Considerado até então o pré-candidato mais próximo de ser confirmado candidato, dado o capital eleitoral da última eleição e o maior destaque no Senado com a liderança do PSDB na Casa, Paulo Bauer teve essa estabilidade arranhada. Alvo de uma investigação no STF sobre suposto recebimento de R$ 11,5 milhões em caixa 2 nas eleições de 2014, o tucano (e o partido) afirma que continua firme na disputa, mas enfrentará o inevitável desgaste de responder as falas de um delator, que gerou a autorização para investigação. Desde que a situação veio à tona, Bauer tenta medir os impactos na pré-campanha e deixou os holofotes um pouco de lado. A renúncia de Napoleão Bernardes na prefeitura de Blumenau, conforme tiver andamento a investigação e se sentir o tamanho do estrago, pode abrir uma nova alternativa tucana para encabeçar uma chapa ao governo catarinense.

PSOL
O jornalista Leonel Camasão é a aposta do PSOL para disputar o governo de SC. A pré-candidatura foi anunciada na primeira quinzena de março.

PT
O PT de Santa Catarina filiou há 15 dias, durante a passagem da caravana de Lula por Florianópolis, o desembargador aposentado Lédio Rosa de Andrade, que deve disputar o governo do Estado pelo partido. A pretensão de indicar o ex-magistrado muda o cenário de alguns meses atrás, quando o deputado federal Décio Lima era o pré-candidato da sigla. Com um passado de luta com partido de esquerda desde a política estudantil, o nome de Lédio ganhou força em janeiro, quando ele já encaminhava sua aposentadoria e recebeu sondagens sobre um futuro político partidário. Se aceitar o desafio de concorrer, Décio deve tentar uma vaga no Senado.

 

Por Victor Pereira

Diário Catarinense

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