Chapecoense e produtora entram em acordo e documentário poderá ser lançado

Empresa poderá divulgar obra, mas de forma autônoma. Caso foi para a Justiça, que havia suspendido o lançamento do filme.

Chapecoense e produtora entram em acordo e documentário poderá ser lançado

Foto: Reprodução/RBS TV

 

Chapecoense e a produtora Trailer Ltda entraram em acordo judicial sobre o lançamento de um documentário sobre o time. De acordo com nota pública divulgada pelo clube no final da tarde desta quinta-feira (3), a obra poderá estrear de forma autônoma. Porém, o contrato entre a Chapecoense e a produtora foi rescindido.

O documentário provocou polêmica no final de 2017 entre o clube, a produtora e familiares das vítimas do acidente aéreo que deixou 71 mortos. A Chapecoense entrou na Justiça para barrar a exibição por descumprimento de contrato. Uma das associações de familiares também pretendia tomar medidas judiciais contra a exibição, alegando desconhecimento da existência da obra. Em outubro, a Justiça chegou a conceder liminar para suspender a divulgação e a estreia.

A data prevista para o lançamento do filme é 2 de agosto, agora com o nome "Para sempre Chape". Anteriormente, o documentário era intitulado "O milagre de Chapecó".

O G1 não conseguiu falar com a Associação dos Familiares e Amigos do Voo da Chapecoense (Afav-c), com a Associação Brasileira das Vítimas do Acidente com a Chapecoense (Abravic) e nem com a produtora.

A nota pública diz que o acordo entre o clube e a produtora ocorreu após uma reunião, parte da ação judicial, em São Paulo em 20 de março com a participação da Associação dos Familiares e Amigos do Voo da Chapecoense (Afav-c).

Ainda na nota, o time e a produtora pedem desculpas por possíveis transtornos causados aos familiares das vítimas por causa da exibição do trailer do documentário em salas de cinema sem a comunicação aos parentes.

Ação judicial

Conforme a Justiça, a Chapecoense havia contratado a empresa para fazer um documentário da evolução do clube, passando também pelo acidente aéreo.

Entretanto, o time entrou com uma ação para barrar a exibição da obra, alegando quebra de contrato porque, conforme o clube, o trailer do documentário foi exibido em salas de cinema e divulgado sem o consentimento da Chapecoense.

Em relação às famílias, conforme a Afav-c, em 12 de outubro, Dia das Crianças, a viúva de uma das vítimas do voo da Chapecoense foi ao cinema com os filhos em Chapecó para ver um filme infantil e, lá, foram surpreendidos pelo trailer do documentário. A família deixou a sala de cinema chorando e, segundo a associação, foi assim que a entidade soube da produção.

Relatório da Aeronáutica Civil da Colômbia

Na sexta (27), a Aeronáutica Civil da Colômbia divulgou o relatório final sobre o acidente com o voo da Chapecoense. A conclusão mostrada no documento é que faltou combustível para chegar a Medellín e que a empresa aérea Lamia fez gestão de risco inadequada.

Conforme o documento colombiano, a tripulação do voo 2933 da Lamia falou do risco de ficar sem combustível mais de duas horas antes de o avião cair.

Entre as principais conclusões apresentadas na Colômbia estão:

  • 40 minutos antes do acidente, o avião já estava em emergência e a tripulação nada fez. Houve indicação, luz vermelha e avisos sonoros, na cabine. "A tripulação descartou uma aterrisagem em Bogotá ou outro aeroporto para reabastecer", diz o documento.
  • o controle de tráfego aéreo desconhecia a "situação gravíssima" do avião.
  • a tripulação era experiente, com exames médicos em dia.
  • o contrato previa escala entre Santa Cruz e o aeroporto de Medellín, mas a empresa planejou voo direto.
  • a Lamia estava em situação financeira precária e atrasava salários aos funcionários. A empresa sofria de desorganização administrativa.
  • a Lamia não cumpria determinações das autoridades de aviação civil em relação ao abastecimento de combustível. Quando foi apresentado o relatório preliminar, já havia sido destacado que o piloto estava consciente de que o combustível que tinha não era suficiente. O piloto, Miguel Quiroga, “decidiu parar em Bogotá, mas mais adiante mudou de ideia e foi direto para Rionegro", onde o avião caiu.
  • a Colômbia deve melhorar controles sobre voos fretados.

 

Por G1SC

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