Tradição mantém vendas de guaraná com fórmula de quase 100 anos em SC

Filho de imigrantes alemães comprou fábrica de bebidas e começou a fabricar “cerveja doce” na fábrica de Rancho Queimado em 1926.

Tradição mantém vendas de guaraná com fórmula de quase 100 anos em SC

Embora mantenham tradição na fórmula, empresa se modernizou com o tempo (Foto: Divugação)

 

Se você procurar em Palhoça ou Florianópolis, vai encontrar pessoas que tomam a Pureza há 80 anos. E as crianças experimentam e depois também pedem a ‘purezinha’ nas suas festinhas”. A forma como Seu Adelmar Sell se refere ao refrigerante de guaraná cuja fórmula foi criada por seu avô em 1926 revela o valor que a bebida tem na região: um valor afetivo.

Os adultos que um dia experimentaram continuam consumindo e as novas gerações fazem com que o contingente de clientes seja renovado e garantem a permanência dessa empresa de Rancho Queimado, na Grande Florianópolis, que segue sendo familiar, apesar da concorrência com grandes empresas de bebida.

Assim, enquanto tantas empresas se destacam pela inovação, o que mantém a Pureza é justamente o contrário: é a tradição. Com exceção das máquinas e dos processos da fábrica, o produto continua o mesmo.

A fórmula é exatamente igual a primeira fabricada em 1926, quando o guaraná ainda era conhecido por “cerveja doce”, bebida produzida por Leonardo Sell após diversos apelos das mulheres que frequentavam as festas da região e achavam a cerveja “amarga demais”.

Em 1927, o guaraná começou a se chamar Pureza e ganhou a logomarca, que também é igual a que vemos hoje nas garrafas. Embora o avô nunca tenha falado explicitamente, seu Adelmar tem um palpite sobre a origem do nome: “Desde o início, meu avô queria que todas as matérias-primas fossem puras, de primeira qualidade. E tudo continua puro”, conta o neto, hoje com 81 anos, que começou a trabalhar com o avô aos 7 anos, colocando rótulos nas garrafas.

O avô de Adelmar, Leonardo Sell, era filho de imigrantes alemães e comprou a fábrica de cervejas de um cunhado. Com ele também aprendeu a produzir a “cerveja amarga”. Do avô, a fábrica (e a fórmula) passou ao filho, que passou ao neto, que passou ao bisneto e, agora, já ao tataraneto.

Aliás, os nomes são no plural: são muitos descendentes trabalhando na empresa. Seu Adelmar teve 11 filhos, seis dos quais trabalham na Pureza. Um deles, Ricardo, atualmente é o administrador. Outro, Alfredo, é o químico responsável. Alguns netos também já trabalham na empresa.

Outras coisas além da fórmula e do rótulo também não mudaram: o local da fábrica, na entrada da cidade de Rancho Queimado. O município sim mudou: na época em que seu Leonardo começou a empresa havia três ou quatro casas por ali.

Hoje, o município continua pequeno: 2.748 habitantes, segundo o Censo de 2010, mas ainda assim nada comparado à época em que a cerveja precisava ser transportada de mula ou de cavalo até cidades como Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz e Florianópolis, e comercializada de mão em mão durante as festas de comunidade.

Em 1959, a fábrica deixou de produzir cervejas e seguiu apenas na produção de refrigerantes. Embora o de guaraná seja o mais conhecido, a Pureza ainda produz refrigerantes de limão e laranja, e também já chegou a produzir de morango, em homenagem à fruta que é tradicional na cidade.

Segundo Sérgio Sell, sobrinho de Adelmar, que é um dos administradores, até 2016 a empresa teve um crescimento constante, sendo que nem mesmo nos piores momentos da crise registraram queda nas vendas. Somente no ano passado, após um reajuste, houve uma pequena queda no volume de vendas, embora o faturamento tenha aumentado.

Atualmente, a empresa produz 720 mil litros de refrigerante por mês e segue investindo em equipamentos para modernizar e aumentar a capacidade produtiva. “No ano passado, investimos R$ 1,5 milhão em equipamentos”, comenta Sérgio. E já com o mercado consolidado no litoral catarinense, este ano a expectativa é ampliar as vendas em outras regiões de Santa Catarina: “nesse momento nosso esforço é expandir a base de consumidores dentro do estado”, finaliza.

O que é mais importante para um negócio dar certo?

“Honestidade”. Seu Adelmar não pensa muito para responder. “Só precisa honestidade. Isso entre familiares, funcionários, fornecedores. E uma contabilidade bem feita, preocupada com manter atualizados os pagamentos dos fornecedores e funcionários. Precisa ter parceria entre o dono e os funcionários”.

Para Adelmar, o sucesso foi graças a muitas mãos, mas sempre com honestidade. “Não tem segredo”, reiterou ele.

Aliás, tem sim! Tem a fórmula da Pureza. Mas esse segredo vai continuar “muito bem guardado”, garantiu ele.

 

Por G1SC

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