Litoral catarinense recebeu mais argentinos e gaúchos nesta temporada, diz pesquisa

Litoral catarinense recebeu mais argentinos e gaúchos nesta temporada, diz pesquisa

Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

 

Os argentinos voltaram com tudo para Santa Catarina. Dados da Fecomércio apontam que os hermanos mais que dobraram a sua participação entre o total de turistas no litoral catarinense no verão 2017/2018. Eles já representam quase um quarto (23,7%) dos visitantes — no verão passado,  eram 10,7%. 

Os gaúchos também aumentaram a presença, mas em ritmo menor: passaram de 27,9% para 29,3%. Os nossos vizinhos do Sul são a maioria, seguidos dos argentinos, catarinenses (16,1%), paranaenses (12,9%) e  paulistas (7,3%). As informações fazem parte da Pesquisa Fecomércio de Turismo - Verão no Litoral Catarinense 2018, divulgada nesta terça-feira com dados das cidades de Balneário Camboriú, Bombinhas, Florianópolis, Garopaba, Imbituba, Laguna, Porto Belo e São Francisco do Sul . 

— No geral, a temporada foi boa, ainda que tivemos um problema de clima por causa das chuvas. Foram dados interessantes. O destaque, sem dúvidas, é o acréscimo de argentinos. É um alento para o setor. Hoje há vantagem para eles vieram aqui. Esperamos que com esses dados o poder público possa tomar medidas para tornar nosso Estado mais atraente para turistas — comemora Bruno Breithaupt, presidente da Fecomércio.

Gerente de planejamento da Fecomércio, Renato Barcelos enxerga uma interferência cambial no comportamento dos argentinos na vinda ao litoral catarinense. Conforme as mudanças de cotação, eles vêm em maior ou menor quantidade:

— Os argentinos são muito influenciados pelo movimento cambial. Em 2016 vieram em massa, enquanto houve queda em 2017. Hoje estamos em patamares mais parecidos com o de 2016, dessa maneira o poder aquisitivo deles é maior aqui e eles podem permanecer mais.

Outra notícia comemorada pelos empresários do setor foi o aumento dos turistas com maior poder aquisitivo. No caso das classes A e B+, a participação cresceu de 14% para 19%. Na classe B-, o aumento foi menos intenso: de 11% para 13%.  Isso fez com que houvesse um aumento de R$ 21 no ticket médio, passando de R$ 135 para R$ 156. Esse indicador apresenta o valor médio que cada cliente gastou nas compras num estabelecimento. 

Na classe C, que representa mais da metade dos turistas em Santa Catarina, houve estabilidade em 58% de participação.  As classes D e E, por sua vez, tiveram quedas para 9% e 2%, respectivamente. 

 

 Fecomércio divulga dados que indicam aumento da participação de turistas estrangeiros, principalmente os argentinos, que nesta temporada representaram uma fatia de 23,5% desse público. Na foto: Hector Rivarola (65), turista argentino veio passar uma semana em Florianópolis com um grupo de amigos do trabalho. (FOTO: TIAGO GHIZONI/DIÁRIO CATARINENSE - FLORIANÓPOLIS, SANTA CATARINA, BRASIL - 03/04/2018)

Hector Rivarola lidera uma excursão de aposentados argentinos que preferem vir depois da temporada

Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

 

Mais homens

Uma informação que chamou a atenção na pesquisa foi o crescimento da presença de turistas do sexo masculino. Normalmente, as mulheres são maioria no litoral. Nesta temporada, porém, a proporção de dois homens para cada mulher (66,5% X 33,5%), segundo a Fecomércio. 

Na divisão por faixa etária, predominam as pessoas entre 31 e 50 anos, com 50,1% do total. Os jovens entre 18 e 30 anos, por outro lado, são 32,4%. No que se refere ao estado civil, os casados ainda são maioria, porém a sua presença diminuiu: passou de 59,8% para 55,4%. Os solteiros, ao contrário, aumentaram a participação de 30,7% para 37,9%.

Carro próprio e casa alugada

Sobre as formas de chegada aos destinos turísticos, a Fecomércio mostrou que a maior parte dos visitantes  ainda utiliza o carro próprio (70%). Ônibus (13,5%) e avião (13,2%) aparecem em distantes segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Em relação à hospedagem, 35% ficaram em imóveis alugados — destes 10% usaram a ferramenta AirBnb. Os clientes de hotéis e pousadas foram 33%. Já outros 20% ficaram na casa de parentes ou amigos. 

O crescimento de três pontos percentuais na hotelaria fez com que os empresários do setor contratassem mais. Em geral, 63% dos hoteleiros fizeram contratações temporárias para o verão. Entre os que contrataram, a média foi de nove funcionários a mais, contra 7,6 na temporada passada.

Pessimismo em queda

Ao todo,  552 empresários foram ouvidos para a elaboração da pesquisa.  Na média, eles apontaram que houve queda de 8% no faturamento em relação à temporada passada. Trata-se, no entanto, de um queda menor que a registrada em 2017: de 13%. 

Além disso, a estimativa é de que o faturamento dos meses de verão foi 34% maior, em média, do que nos demais meses do ano. 

Em Canasvieiras, sentimentos distintos

Na Capital, quando alguém fala em turistas argentinos, imediatamente o bairro de Canasvieiras vem à cabeça. Desde a década de 1970, os hermanos invadem o balneário em busca de águas calmas e mornas.  E nesta temporada não foi diferente.

O recepcionista José Carlos Madeira, de 51 anos, trabalha desde a inauguração, em 2013,  do Apart Hotel Roberto Monteiro, em frente à praia. Ele conta ter visto uma mudança no padrão de comportamento dos estrangeiros nesse verão.

Antes, os argentinos chegavam em peso já em janeiro. Nesse ano, contudo, os brasileiros foram maioria no primeiro mês do ano. Em março, por sua vez, a proporção foi de nove argentinos para cada brasileiro.

—Março superou todas as expectativas. Acho que eles vieram mais tarde por conta das diárias mais baratas. Assim, puderam gastar mais no comércio — conta Madeira.

Em janeiro uma diária no apart hotel pode chegar a R$ 1.200,00. Em março e abril, esse valor cai para menos de R$ 300. Na segunda-feira, um ônibus com 60 argentinos chegou, ocupando todos os 32 apartamentos por uma semana.

O grupo é formado por membro dos Sindicato dos Funcionários Públicos de Córdoba. O líder da excursão, Hector Rivarola, conta que os aposentados representam 90% dos que vieram. Segundo ele, nesta época é possível aproveitar hospedagens mais baratas.

— Eu mesmo vim de carro em janeiro e tudo era mais caro — conta.

Para o vendedor de picolés Paulo Roberto de Almeida, o principal fator que prejudicou a temporada foi a quantidade de chuvas. Segundo ele, os turistas que vieram tinham dinheiro para gastar, mas o tempo fez com que ficassem muito tempo longe das praias:

— Já teve verão em que ficamos 50 dias trabalhando direto. Nesse, não teve como.  

 

Por Leonardo Gorges

Diário Catarinense 

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