Empresas de tecnologia empregam 47 mil pessoas em Santa Catarina

Empresas de tecnologia empregam 47 mil pessoas em Santa Catarina

Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

 

A vocação de Santa Catarina no campo tecnológico já representa uma das principais engrenagens produtivas do Estado: 5,6% da economia estadual é impulsionada pelo setor. Esta fatia é resultado de um faturamento de R$ 15,5 bilhões no segmento da tecnologia catarinense no ano passado. 
Os dados constam no Observatório Acate - Panorama 2018, estudo da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) em parceria com a Neoway, lançado nesta quarta-feira em Florianópolis. 

O Estado concentra 12,3 mil empresas de tecnologia, com mais de 16 mil empreendedores e cerca de 47 mil funcionários. Cada empreendimento teve receita média de R$ 1,25 milhão em 2017. Entre 2015 e 2017, Santa Catarina ganhou 1,5 mil novas empresas. Considerando a relação entre o número de pessoas que trabalham no setor de tecnologia para cada 100 mil habitantes, hoje o Estado tem a terceira maior proporção de empregados ligados ao setor tecnológico, além de concentrar o quarto maior faturamento médio no segmento. 

Maior polo tecnológico do Estado, a Grande Florianópolis alcança destaque nacional. Com quase 4 mil empresas, a região gera faturamento de R$ 6,4 bilhões e emprega 16,5 mil pessoas. Proporcionalmente, a Capital catarinense é líder nacional de profissionais empregados na área da Tecnologia da Informação e Comunicação, com 25 trabalhadores em cada 1 mil habitantes. 

Apesar de o faturamento do Estado no campo tecnológico ter apresentado queda em relação a 2015 (-17,2%), o resultado é atribuído à crise que também afetou outros setores. Apenas Rio de Janeiro e Amazonas alcançaram saldo positivo no período, destaca o diretor-executivo da Acate, Gabriel Sant'Ana Palma Santos. O cenário de Santa Catarina, analisa Santos, poderia ter sido pior se a área tecnológica não fosse dinâmica. Por outro lado, destaca o diretor, a crise também leva empreendedores a buscarem a tecnologia como forma de redução de custos, o que abre novas oportunidades.

—Normalmente, as empresas tecnológicas conseguem se adaptar às variações de mercado muito mais rapidamente do que empresas na indústria de base. Via de regra, as empresas que trabalham com inteligência têm mais facilidade porque trabalham com capital humano — avalia.

Quando a Acate foi fundada, em 1986, apenas 129 companhias integravam o segmento em Santa Catarina. Hoje com quase 50 mil catarinenses empregados no setor, a projeção de crescimento futuro depende necessariamente da disponibilidade de profissionais capacitados no mercado.

—Como o setor de tecnologia basicamente depende de capital humano, de pessoas, esse setor não consegue crescer sem o aumento no número de colaboradores. A falta de colaboradores qualificados é um dos principais empecilhos — afirma Santos.

 

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Estado na vitrine do país, diz especialista

A oferta de instituições de ensino voltadas à tecnologia, empreendedorismo, formação de startups e inovação é um dos fatores que impulsiona o segmento tecnológico catarinense. Doutora em engenharia de produção e professora do Departamento de Engenharia do Conhecimento da UFSC, Clarissa Stefani Teixeira destaca que Santa Catarina tem como diferencial o que chama de "articulação do ecossistema" no segmento, além de um importante "habitat de inovação".

Como exemplo, ela cita a rede de investidores privados, o aporte de recursos do Estado em iniciativas como o Pacto Pela Inovação, e ações de entidades como o Sebrae. As próprias startups já consolidadas no Estado, destaca a professora, ajudam a impulsionar o mercado a partir da realização de eventos.

—É um somatório de esforços, em que as grandes instituições estão em prol da inovação. É um fator relevante, que mostra o diferencial do Estado. Temos recebido uma quantidade significativa de pessoas que vêm saber das iniciativas. Demonstra que o Estado está na vitrine do país — analisa.

Embora entenda que a atualização das universidades seja uma tendência diante da demanda, Clarissa observa um descompasso recente entre a formação de profissionais e as necessidades do mercado. 

—O desafio hoje talvez seja a questão de investimento e de atuação das universidades mais próximas às demandas da sociedade — conclui.

 

Colegas de faculdade fundaram o próprio negócio

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 11-07-2018: Na foto o CEO Victor Oliveira. Crescimento de startups em SC. A empresa de desenvolvimento de aplicativos  e softwares personalizados, nascida da amizade de quatro colegas de faculdade, entre eles um dos primeiros funcionários da gigante UBER no Vale do Silício, mantém como missão  ajudar a democratizar o acesso à tecnologia e informação.   A Cheesecake Labs tem um ambiente inovador que atende a mais de 20 clientes - sendo aproximadamente 70% deles de fora do país. A empresa cresceu 100% em 2017  e fechou o ano com um faturamento de cerca de R$ 8 milhões. Para 2018, prevê aumento de 80% no faturamento . Um dos aplicativos desenvolvidos pelos Cakers ¿ como são chamados os colaboradores da instituição ¿, o VSPorto, é líder de mercado no setor de esporte universitário nos Estados Unidos. Outros clientes da Cheesecake são Women¿s March, Lockitron, Singularity University, Portobelo e Camio/Ella.

Victor trabalhou como um dos primeiros programadores da Uber e hoje é CEO da Cheesecake Labs em Florianópolis

(Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense)

 

Imagine quatro colegas de faculdade entendidos de computador, sem muito dinheiro, dividindo o mesmo apartamento com o objetivo de montar a própria empresa. Parece roteiro de seriado americano, mas em Florianópolis foi assim que nasceu uma startup voltada ao desenvolvimento e design de aplicativos personalizados.

Criada em 2013, com uma ajudinha de custo dos pais dos fundadores nos primeiros meses, hoje a Cheesecake Labs atende mais de 20 clientes, aproximadamente 70% deles de fora do país. Particularidades à parte, a empresa ilustra a história comum das startups que surgem e prosperam no ambiente tecnológico a partir de ideias inovadoras.

Um dos sócios e CEO da Cheesecake, Victor Oliveira, 28 anos, descreve o próprio negócio como uma forma de startup, devido à perspectiva organizacional da sociedade e ao baixo investimento inicial, mas também como empresa estabelecida, por causa dos resultados já alcançados. A expectativa do negócio é alcançar 70 colaboradores em 2018. 

Com a experiência de ter sido um dos primeiros programadores da Uber e morado um ano no Vale do Silício — região de San Francisco, no Estados Unidos, que concentra empresas de tecnologia  — Victor vê o ambiente tecnológico em Santa Catarina amadurecido e arrisca uma comparação com a capital catarinense.

—No Brasil, já somos um dos grandes polos. Cada vez mais Floripa parece San Francisco. Não só pela ponte, mas pela quantidade de eventos que você consegue ir, o número de empresas que começam a fazer parcerias e construir coisas. Em número de iniciativas, envolvimento das pessoas e engajamento, já vejo Floripa como um ambiente bem maduro. Ao mesmo tempo, vejo que há muito espaço para crescer — destaca.

 

Por Roelton Maciel

Diário Catarinense

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