Taxação chinesa ao frango trará mais prejuízos a SC

Taxação chinesa ao frango trará mais prejuízos a SC

Produção de carne de frango sofre nova baixa em SC(Foto: Tarla Wolski, especial)

 

Quando as agroindústrias imaginavam que as “tempestades” no mercado de carne de frango tinham acabado, a China iniciou mais uma. O governo do gigante asiático acusa os exportadores do Brasil de prática de dumping (vendas abaixo dos custos de produção) e colocou em vigor sábado tarifas antidumping que vão de 18,8% a 38,4%, dependendo da empresa.

O Estado de Santa Catarina, que é o segundo maior exportador de frango do país – atrás apenas do Paraná – será um dos mais prejudicados. Os reflexos foram sentidos na bolsa sexta-feira. As ações da BRF, maior exportadora de frango do país e do mundo caíram 7,49% enquanto os papéis da JBS, segunda exportadora do ranking brasileiro subiram 4,14% porque a empresa pode ser beneficiada por ser a segunda do mercado dos Estados Unidos.

O questionamento sobre os preços brasileiros começaram em função de queixas de produtores chineses e a investigação sobre dumping vem ocorrendo desde agosto do ano passado. A China estava cobrando tarifa média de 10% para a compra de carne de ave do Brasil e a mudança agora é provisória. Mas passa a cobrar 25,3% de tarifa da BRF, 20,8% da Aurora, 18,8% da Seara e 38,4% da paranaense C. Vale.

Segundo o diretor executivo da Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e do Sindicato das Indústrias de Carnes do Estado, Ricardo Gouvêa, as autoridades e as entidades do Brasil foram claras ao Ministério do Comércio da China (Mofcom), mostrando que o país não pratica dumping.

-Essa decisão da China é quase que uma retaliação. As empresas brasileiras praticam a mesma política de preços para todos os mercados do mundo – mais de 150 países. Tivemos um painel com os chineses em que o Brasil foi claro que não é caso de dumping. Estamos com bom produto, qualidade, sanidade porque não temos problemas de doenças (influenza aviária) e preço competitivo – explica Gouvêa.

Na opinião do executivo, o Itamaraty precisa agir rápido porque o setor está numa fase extremamente delicada. Já enfrentava problemas com o embargo para venda de frango à União Europeia, os questionamentos do mundo árabe sobre a forma de abate de aves, o embargo Russo à carne suína e os efeitos negativos da greve dos caminhoneiros que afetou a “engrenagem” da produção de aves e suínos do país. Segundo ele, ainda não deu tempo para a Acav fazer os cálculos sobre os prejuízos que as tarifas vão provocar em SC.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que 9,2% das exportações brasileiras de frango vão para a China, que no ano passado importou do país 391,4 mil toneladas. O produto brasileiro detém cerca de 5% do mercado chinês, indicam estudos do governo brasileiro.

Uma das queixas da ABPA é que o processo sobre dumping incluiu até empresas que não exportam para a China. A taxação diferente para cada empresa mostra que o objetivo do país asiático é reduzir as importações. Apesar disso, a associação brasileira informa que as empresas continuarão vendendo à China por ser um mercado grande e de potencial futuro.

Em Santa Catarina, o frango é o principal produto de exportação. No ano passado, atingiu receita de US$ 1,525 bilhão com crescimento de 12,8% e respondeu por 23,3% do total das vendas externas do setor pelo país. Devido a série de dificuldades, no período de janeiro a maio o setor está operando com prejuízo no Estado. De janeiro a maio, as receitas com exportações, em dólares, caíram 6,25% em Santa Catarina.

Governo federal lamenta

O governo brasileiro lamentou a decisão chinesa, negou a prática de dumping e espera reverter o problema até agosto deste ano, quando sairá a decisão final. A nota do governo é assinada pelos ministérios da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Relações Exteriores e Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

- As exportações brasileiras de frango representam importante item da pauta comercial bilateral e são complementares à produção local da China, beneficiando os agentes econômicos de ambos os países, especialmente os consumidores chineses. A participação das importações brasileiras representa cerca de 5% do mercado da China e, em nenhum momento, foi responsável por deslocar as vendas internas de produto chinês, que cresceram continuamente ao longo do período da investigação – explicou na publicação.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) defende uma saída negociada sem o Brasil recorrer à OMC.

 

Por Estela Benetti

NSC Total

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