PMDB e DEM tentam atrair Doria para a disputa presidencial de 2018

PMDB e DEM tentam atrair Doria para a disputa presidencial de 2018

Prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) (Foto: Divulgação / Divulgação)

A disputa interna do PSDB pela vaga de candidato à Presidência em 2018 ultrapassou o próprio partido. DEM e PMDB, que integram a núcleo duro de apoio ao governo Michel Temer, se aproximaram do prefeito de São Paulo, João Doria, e sinalizaram com a possibilidade de lançá-lo candidato ao Planalto. 

A abordagem peemedebista foi feita pelo próprio presidente Michel Temer (PMDB). Ele disse ao prefeito que "as portas do PMDB estão abertas" para o tucano disputar a Presidência da República no ano que vem.

Doria enfrenta resistência do PSDB para ser candidato à Presidência porque seu padrinho político, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem preferência para a candidatura. Nos bastidores, ele trabalha para participar da corrida presidencial. 

O "convite" do PMDB foi feito durante uma conversa entre eles na última segunda-feira (7)  na Prefeitura, pouco antes de um evento no qual Temer distribuiu publicamente afagos a Doria, segundo relatos de quem estava no local. Procurada, a assessoria do Planalto negou o convite.

Democratas (DEM) também sonda Doria para a Presidência
O DEM também sondou Doria sobre a disputa presidencial tendo no horizonte uma dobradinha entre ele e um quadro do partido em 2018. No limite, o DEM também está de portas abertas a Doria, caso ele não consiga se candidatar a presidente pelo PSDB em 2018. Os nomes citados para compor a chapa são o prefeito de Salvador, ACM Neto, e o ministro da Educação, Mendonça Filho.

Tucanos ligados ao prefeito avaliam que a chapa entre Doria e um ACM Neto ou Mendonça Filho teria força no Nordeste. Em contrapartida, Doria apoiaria o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na disputa pelo governo do Rio, e o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) para o governo de Goiás.

Questionado sobre a aproximação, o senador José Agripino (RN), presidente do DEM, também negou que o partido tenha convidado Doria. Assim como Temer, a cúpula do DEM quer evitar desgaste com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Por isso, as negativas públicas e os convites em privado.

O prefeito tem dito que não vai entrar na disputa se Alckmin, que é seu padrinho político, se colocar como candidato. Porém, cada vez mais ele tem adotado discursos e agendas de quem pretende concorrer.

A possibilidade de deixar o PSDB também é rechaçada por Doria. Nesta quinta-feira (10), durante evento em São Paulo, o prefeito voltou a descartar a saída do partido, mas admitiu o interesse do PMDB e do DEM. 

— Não tenho intenção de deixar o PSDB. É o meu partido. As portas (do PMDB e do DEM) foram abertas, o que me deixa muito feliz. PMDB e DEM são parte da nossa base em São Paulo — disse o prefeito paulistano.

Paz na rua, briga nos bastidores 
Para aliados de Doria, a mudança de sigla, porém, pode ocorrer caso o governador não se apresente como candidato e, mesmo assim, a cúpula tucana vete uma candidatura do prefeito. Mesmo assim, são cada vez mais fortes as pressões para que Alckmin desista de concorrer e indique Doria, que trabalha para reunir apoios externos e crescer nas pesquisas.

O nome do prefeito de São Paulo, contudo, enfrenta resistência entre setores tucanos. Presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati (CE) disse em reunião interna que Alckmin "tem preferência" na fila na escolha do candidato.

O grupo dos "tucanos históricos" de São Paulo, do qual fazem parte o ex-governador Alberto Goldman e José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, também não aceita a opção Doria. Presidente licenciado do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), que mantém influência na sigla, é outro que entrou em rota de colisão com o prefeito após Doria defender publicamente seu afastamento do comando do PSDB.

Entusiasmo de Temer por Doria desagradou a aliados de Alckmin
O assédio a Doria e a deferência de Temer ao prefeito desagradaram a aliados de Alckmin, que está no quarto mandato no governo paulista e se articula para ocupar a vaga do PSDB na disputa pelo Planalto. Tucanos com trânsito no governo estadual de São Paulo reclamam dos movimentos do prefeito e fazem críticas à gestão Doria.

— Não mudou nada. Seguimos amigos e unidos — disse o prefeito de São Paulo. 

A avaliação no entorno de Alckmin, no entanto, é de que Doria está decidido a disputar a Presidência, dentro ou fora do PSDB. Para não perder espaço, o governador vai intensificar a agenda de viagens pelo Brasil e as conversas partidárias. 

 

Por Estadão Conteúdo

Diário Catarinense 

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