Autoridades estão identificando quem impede "motoristas de retomarem o seu trabalho", diz Padilha

Autoridades estão identificando quem impede

Padilha (centro) (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

O governo federal está convicto de que a circulação de caminhões está demorando para ser retomada por interferência de "infiltrados com interesses políticos" na greve dos caminhoneiros. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (29), o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que as autoridades estão identificando os responsáveis por "impedirem os motoristas de retomarem o seu trabalho".

— Não estamos mais tratando de piquetes grevistas, mas de concentrações que têm envolvido caminhoneiros e populares. O que nós vamos fazer é separar quem não tem ligação com o movimento e está ali fazendo agitação política — afirmou.

Segundo Padilha, os pontos de concentração são maiores, nesta terça, nos três Estados da Região Sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Depois vêm os Estados do Sudeste e Centro-Oeste.

Ao falar sobre os infiltrados nos protestos, o ministro citou o relato do presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca, que revelou ameaças a motoristas nos pontos de manifestação.

Também presente na entrevista, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, relatou que sete pessoas foram presas no Maranhão por impedirem a circulação de caminhões, e nenhuma trabalhava como caminhoneiro.

— Existem forças indevidas e oportunistas que estão fazendo os motoristas de reféns — reforçou.

No nono dia de greve, o governo admite que ainda vai demorar para que a normalidade seja retomada no país. A prioridade das forças de segurança ainda é abrir os chamados "corredores de abastecimento". Nesta terça, caminhões deixaram a distribuidora da Petrobras, em Biguaçu, na Grande Florianópolis (SC), para abastecer postos da região após liminar judicial que determinou o desbloqueio do terminal.  

 

 Greve caminhoneiros. Caminhões saem com escolta policial para asbtecer viaturas da PM e veículos oficiais

Caminhões deixam distribuidora da Petrobras em Biguaçu (Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense)

 

Até agora, segundo o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sergio Etchegoyen, foram liberados oito corredores, que são rodovias de ligação entre grandes regiões de produção e consumo. Nessas estradas, segundo Etchegoyen, os caminhões circulam "quase sem escolta", porque são regiões consideradas seguras.

Além do transporte de combustível, as polícias e Forças Armadas estão dando prioridade para o transporte de medicamentos, materiais de uso hospitalar e alimentos. Durante a coletiva, Etchegoyen, que é general da reserva do Exército, também foi questionado sobre os pedidos de intervenção militar, presentes em pontos de concentração de caminhoneiros. Para o ministro, trata-se de "um assunto do século passado".

— Eu vivo no século 21. O farol que uso para me conduzir é muito mais potente do que o retrovisor, não vejo militar ou as Forças Armadas pensando nisso — avaliou.

Para Etchegoyen, as instituições do país estão fortalecidas, mas é preciso refletir por que o assunto ainda está "disposto sobre a mesa".

 

Por Matheus Schuch

Diário Catarinense

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