Apesar de restritos, protestos são realizados nos estádios durante a Copa do Mundo

Apesar de restritos, protestos são realizados nos estádios durante a Copa do Mundo

Catarinenses protestaram durante Brasil e Costa Rica (Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal)

 

Se o Brasil teve dificuldade para conter manifestações nas ruas durante os jogos da Copa do Mundo 2014, a situação é bem diferente da edição russa. Com rígido sistema de segurança e identificação de torcedores, é difícil encontrar protestos públicos neste Mundial. Soma-se ainda o procedimento padrão da FIFA de proibir manifestações durante os eventos da entidade, algo que já foi aplicado no Brasil mas que se mostrou muito mais eficiente em 2018.

Porém, há exceções. E uma delas foi, inclusive, catarinense. De Presidente Getúlio, no Alto Vale de Santa Catarina, Tiago Larsen Rocha foi com os amigos para a Rússia assistir alguns jogos da Copa do Mundo. Na partida do Brasil contra a Costa Rica, na última sexta-feira, o grupo ergueu uma faixa em inglês no meio da Arena Zenit, em São Petesburgo: "Nós apenas seremos verdadeiros campeões quando vencermos a corrupção".

— Queremos ser um país campeão dentro e fora de campo. Muitas pessoas dizem que quando a Copa do Mundo começa, esquecemos nossos problemas, mas isso não é verdade. Acreditamos tanto no hexa como em um país melhor — explica Tiago, ao se referir que esse é o sentimento do grupo de amigos.

Tiago conta que os agentes de segurança fazem rigorosa revista antes do público entrar no estádio. Eles exigem, inclusive, explicações sobre o que está escrito nas bandeiras, como o "Ordem e Progresso" no caso brasileiro. Tudo isso para tentar impedir a entrada de objetos que possam ser utilizados para realizar manifestações nos estádios.

Porém, mesmo revistando bandeiras, bonés e mochilas, o cartaz passou despercebido na abertura do Mundial, no jogo da Rússia contra a Arábia Saudita. Alguns dias depois, no segundo jogo do Brasil, o grupo conseguiu entrar novamente com a faixa. A ideia era exibi-la durante o hino nacional, mas como havia o receio deles serem retirados do estádio, o grupo se manifestou no fim da partida.

—  Era um jogo especial pra nós, tínhamos que ver, por isso ficamos com um pouco de medo. Mas conseguimos mostrá-la porque, assim que acabou o jogo, o segurança que estava na nossa frente saiu. Então a gente ficou bastante tempo com ela levantada, a galera bateu foto e apoiou bastante. Foi legal — explica Tiago, que ainda ressalta que não houve abordagem dos seguranças durante a manifestação.

 

 A banner is displayed during the Russia 2018 World Cup Group B football match between Morocco and Iran at the Saint Petersburg Stadium in Saint Petersburg on June 15, 2018.  / AFP PHOTO / Giuseppe CACACE / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - NO MOBILE PUSH ALERTS/DOWNLOADSEditoria: SPOLocal: Saint PetersburgIndexador: GIUSEPPE CACACESecao: soccerFonte: AFPFotógrafo: STF

Foto: Giuseppe CACACE / AFP

 

Iranianas voltando aos estádios

Maryam Qashqaei Shojaei, ativista iraniana, ergueu um dos cartazes que mais repercutiu nesta Copa do Mundo: "Apoiem as mulheres iranianas a comparecer aos estádios", além de uma hashtag pedindo o fim do banimento das mulheres. A manifestação ocorreu durante a vitória do Irã sobre o Marrocos e marcou o primeiro jogo desde 1979 em que as mulheres não foram reprimidas pelo governo iraniano ao entrar em um estádio.

O cartaz foi confiscado pelos seguranças após alguns minutos, mas as imagens do protesto tiveram apoio de muitas personalidades iranianas. As atrizes Shohreh Aghdashloo, indicada ao Oscar, e Nazanin Boniadi, a cantora Googoosh e a comediante Shappi Khorsandi foram algumas das 18 mulheres que assinaram uma carta aberta à Fifa dizendo que a entidade por muito tempo fechou os olhos para a realidade iraniana. 

Atletas e personalidades de outros países também comentaram a manifestação realizada por Shojaei. O zagueiro Sérgio Ramos, que atua pela Seleção espanhola e do Real Madrid, compartilhou uma notícia que explicava a liberação para que as mulheres entrassem no principal estádio do país, o Azadi, desde 1979. E o jogador ainda escreveu: "Elas são as que realmente venceram nesta noite. Espero que seja a primeira de muitas."

 

Por Gabriel Lima

Diário Catarinense

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