Alvos da Lava-Jato, doleiros movimentavam R$ 1 milhão por dia, aponta MPF

Alvos da Lava-Jato, doleiros movimentavam R$ 1 milhão por dia, aponta MPF

Foto: Felipe Daroit / Agência RBS / Agência RBS

 

Os doleiros investigados na Operação Câmbio Desligo movimentavam R$ 1 milhão por dia, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Deflagrada na manhã desta quinta-feira (3), a ação desarticulou uma rede com 45 operadores financeiros no Brasil e no Exterior pela qual teria passado ilicitamente R$ 3,7 bilhões.

Segundo o MPF, para controlar as transações, os colaboradores desenvolveram um sistema informatizado próprio, chamado Bankdrop. No software, estão relacionadas mais de 3 mil offshores com contas em 52 países e transações que somam mais de US$ 1,6 bilhão. Outro sistema, chamado de ST, registrava as operações de cada doleiro como uma espécie de conta-corrente e era utilizado para controlar as movimentações de recursos no Brasil e no Exterior.  

As investigações partiram do acordo de delação premiada dos doleiros Vinícius Claret (o Juca Bala) e Cláudio Barboza (conhecido como Tony ou Peter), presos em 2 de maio no Uruguai. Segundo o MPF, os operadores intermediavam operações de dólar para os irmãos Chebar, também doleiros, e operadores do esquema envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

Em sua colaboração, Chebar reconheceu que o volume de operação de compra de dólares aumentou "consideravelmente" a partir do início do governo de Cabral, em 2007. Por isso, foi necessário buscar os recursos de Juca e Tony para viabilizar as operações.

"Os colaboradores Juca e Tony funcionavam como verdadeira instituição financeira, fazendo a compensação de transações entre vários doleiros do Brasil, servindo como 'doleiros dos doleiros', indicando clientes que necessitavam dólares (compradores) e que necessitavam reais", pontuou, em nota, o MPF. Junto com o dono de casas de câmbio Dario Messer, montaram uma rede de câmbio paralela sediada inicialmente no Brasil. Em 2003, mudaram-se para o Uruguai, de onde comandavam remotamente os negócios.

Classificado pelos procuradores como "grandioso", o esquema envolvia a movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no Exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio.

 

Foto: MPF / Divulgação

 

Por GaúchaZH

Diário Catarinense

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